O gás natural moçambicano já está a chegar aos mercados internacionais e o país prepara-se para dar um salto histórico na sua capacidade de exportação. A garantia foi dada esta terça-feira 27 de Outubro pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante a sua intervenção na 8.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Fórum dos Países Exportadores de Gás (GECF), realizada em Moscovo.
Durante o encontro de alto nível, o Chefe de Estado destacou que o verdadeiro valor dos recursos energéticos do país não deve limitar-se aos números do comércio externo. Para o Presidente, a prioridade máxima é a transformação interna dessa riqueza em progresso social visível.
“A riqueza do gás deve transformar-se em luz para escolas e unidades sanitárias, em fertilizantes, em fábricas e em empregos para jovens e mulheres”, sublinhou Daniel Chapo perante os líderes globais do setor energético.
A visão do Governo aponta para uma aceleração sem precedentes no sector industrial nos próximos anos. Com o pleno arranque dos megaprojectos localizados na Bacia do Rovuma, Moçambique projecta alcançar uma capacidade de exportação superior a 35 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL) por ano.
Além do impacto macroeconómico, o impacto no quotidiano dos cidadãos já regista avanços significativos. O Presidente lembrou que a taxa de acesso à eletricidade no país registou um crescimento notável, passando de 30% em 2018 para os actuais 70%.
O objectivo final permanece ambicioso, mas traçado com clareza: garantir o acesso universal à energia elétrica a toda a população moçambicana até ao ano de 2030.
Perante as potências mundiais do sector, Moçambique estabeleceu uma posição firme ao apresentar quatro prioridades estratégicas globais. A primeira foca-se na promoção de um mercado internacional de gás mais estável e previsível. A segunda prioridade coloca o tónico na transferência de tecnologia e na formação especializada de quadros nacionais. Em terceiro lugar, o país exige investimentos que impulsionem a industrialização local e gerem novos postos de trabalho dentro de portas.
Por fim, o Chefe de Estado defendeu o princípio de uma transição energética justa. Esta abordagem defende que a mudança para fontes mais limpas deve ser gradual e equilibrada, sem comprometer o desenvolvimento económico nem as necessidades básicas dos países em vias de desenvolvimento.
