O racismo estrutural e silencioso continua a infiltrar-se em espaços corporativos onde o mérito deveria prevalecer. Esta é a principal denúncia deixada por Adriano Nuvunga, activista de direitos humanos, numa carta aberta dirigida ao Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha.
Datado de 25 de Outubro de 2026 e emitido a partir de Nuvunguene, o documento traz a público denúncias graves sobre alegadas práticas de discriminação racial na progressão de carreira dentro de uma instituição bancária a operar no país. De acordo com o documento, o racismo nem sempre se manifesta através de insultos explícitos ou humilhações públicas. Muitas vezes, instala-se de forma discreta nos gabinetes de decisão — nos momentos em que se definem promoções, se distribuem cargos de chefia e se determina quem ascende na carreira ou permanece invisível.
O activista aponta na missiva que, num país cuja independência representou também a rejeição da discriminação racial, é profundamente inquietante que a cor da pele possa continuar a pesar mais do que a competência e o mérito profissional.
Perante a gravidade das acusações levantadas, o subscritor da carta pública solicitou uma audiência formal junto da tutela bancária para debater o assunto, mantendo-se na expectativa de uma resposta oficial.
Embora reforce que não pretende condenar instituições sem o devido apuramento factual, Nuvunga sublinha que a indiferença institucional não pode ser tolerada. O activista adverte que o silêncio não esclarece e não protege os trabalhadores, frisando que a igualdade não pode continuar a ser apenas uma promessa elegante nos códigos de conduta corporativa dos bancos comerciais.
A denúncia relança o debate nacional sobre a urgência de fiscalizar práticas laborais internas no sector financeiro, garantindo que o talento e o profissionalismo se sobreponham a barreiras discriminatórias.
