O activista de direitos humanos Adriano Nuvunga dirigiu uma carta aberta ao Presidente da República exigindo esclarecimentos e medidas imediatas após o assassinato de Araújo, mobilizador do partido ANAMOLA no distrito de Mopeia.
De acordo com as denúncias apresentadas no documento, assinado no dia 11 de outubro de 2026, a vítima foi morta a tiros na sua própria residência na noite de 9 de outubro. O caso reacende o debate sobre a segurança de actores políticos da oposição e o papel das forças de ordem no país.
Na mensagem, Nuvunga enfatiza que nenhum moçambicano deve morrer por participar na política e cobra uma postura firme por parte do Chefe de estado. O activista destaca que a perda de mais uma vida exige uma resposta clara e transparente por parte do estado para garantir a segurança de todos os cidadãos.
O partido ANAMOLA denunciou o possível envolvimento de agentes da polícia no homicídio. Diante dessa acusação, Nuvunga defende que o processo de apuração ocorra por meio de uma investigação independente e sem qualquer interferência das estruturas visadas. Segundo ele, a expressão “desconhecidos” não pode continuar a ser usada para justificar a falta de resultados ou encerrar processos.
A carta reforça que a farda, o cargo ou a proximidade com o poder não podem servir de escudo para proteger ninguém do apuramento da verdade. O defensor dos direitos humanos alerta que, sem investigações credíveis, a confiança da população nas instituições públicas continuará a deteriorar-se progressivamente.
Proteger os membros da oposição é apontado no documento como uma obrigação constitucional do estado. Nuvunga sublinha que a filiação partidária da vítima não diminuía o seu direito à vida e afirma que a sociedade não pode aceitar que a participação política exponha cidadãos à morte, nem que o silêncio banalize a violência no país.
Na conclusão do apelo, o activista pede que o Presidente condene o homicídio sem ambiguidades e garanta condições para a livre participação política. Nuvunga sustenta que o diálogo nacional exige cidadãos livres do medo e que a reconciliação só será possível com verdade e justiça, afirmando que Moçambique não pode habituar-se a enterrar opositores e seguir como se nada tivesse acontecido.
Até ao momento, as autoridades oficiais e os órgãos de segurança pública não emitiram um comunicado detalhado sobre o andamento das investigações do crime ocorrido em Mopeia.
