
O director da Escola Primária Eduardo Mondlane, no distrito de Meconta, província de Nampula, acusado de ter desviado 57 sacos de arroz, óleo, sal, para lanche escolar, e material informático da instituição, retomou as actividades na mesma escola, provocando o descontentamento de pais e encarregados de educação.
Sem gravar entrevista, os mesmos questionam o exemplo que o governo quer transmitir ao aceitar naquela escola um dirigente acusado de furtar bens escolares, assim como lanches que eram destinados aos alunos.
Já o administrador de Meconta, Melchior Focas, revelou ao Ikweli que o director em causa teria sido julgado e condenado juntamente com um professor e guarda da mesma escola no passado dia 20 do mês em curso.
O director e o professor foram sentenciados a 13 meses e o guarda a 6 meses de prisão, convertidos em multa, ao valor monetário de 175,00Mt (cento e setenta e cinco meticais) por dia. Entretanto, na semana seguinte foram vistos na mesma escola onde cometeram o acto, facto que indignou alguns pais e encarregados de educação.
No entanto, Melchior explicou já ter se tratado do processo criminal, no qual os indivíduos já foram responsabilizados, neste momento, cabe ao governo tratar do processo administrativo ou disciplinar que poderá culminar com a demissão ou expulsão do aparelho do Estado.
“Esse processo disciplinar pode culminar com a sua cessação de director da escola. Neste momento em que falamos (sábado 29), já está a decorrer o processo disciplinar contra o director dessa escola e isto, provavelmente, vai culminar com a sua cessação, e dependendo da matéria do processo, este ou é demitido ou na última das hipóteses é expulso do aparelho de Estado, não há dúvidas aqui, porque é algo confirmado.”
A fonte justificou ao Ikweli que, enquanto não sai o resultado do processo disciplinar aberto contra o director, assim como os outros funcionários envolvidos no furto, são obrigados a retomar as actividades.
“Até que saia a decisão como governo vamos tomar medidas contra esse director e seguramente já está a decorrer o processo disciplinar que será muito célere, precisamos entender que depende de um estudo que vai se fazer.”
Focas revelou tratar-se de um caso novo no seu distrito. Por isso, apela aos gestores escolares a não optarem por actos do género, pois um dirigente de uma escola deve ser exemplar.
“A nomeação de um gestor escolar é uma confiança que nós temos tido com esses funcionários. Agora quando assim acontece, em que um funcionário que é um gestor que nós confiamos comete esse tipo de erros nós na verdade não perdoamos. Dai que, aconselhamos e apelamos aos colegas que estão nas escolas a serem responsáveis por serem dirigentes de confiança para dirigirem a instituição em que estão afetos.”
Apesar da situação, o dirigente garantiu que o Pograma Mundial de Alimentação (PMA), parceiro responsável pela distribuição do lanche escolar não abandonou a escola e continuam a disponibilizar os produtos.
“Felizmente o nosso parceiro não nos abandonou, porque em alguns casos devia se paralisar, mas tal não aconteceu. Porque também identificamos as pessoas e levamos a justiça, portanto são coisas bem claras que o parceiro viu que houve um trabalho que o governo fez, dai que não estamos a perder nenhuma confiança com os parceiros que fornecem os lanches escolares.”
Importa referir que os lanches escolares oferecidos pelo PMA visam essencialmente fornecer refeições aos alunos carenciados, por forma a motivar sua permanência no ensino. (Ikweli)