O aumento das dívidas pessoais e a busca por rendimentos extras estão a afastar cada vez mais docentes das salas de aula na Província da Zambézia.
Muitos professores têm recorrido a pequenos negócios informais, como o serviço de mototáxi, para garantirem a sua sobrevivência financeira.
A situação gerou forte preocupação entre o Governo provincial e a Organização Nacional dos Professores (ONP), que alertam para os impactos negativos no rendimento dos alunos.
Esta crise no sector da Educação ocorre num momento de crescente tensão entre a classe docente e o estado. Os profissionais continuam a exigir a melhoria urgente das suas condições salariais e de trabalho. Entre as principais reclamações estão a valorização da carreira e a quitação integral das horas extraordinárias em atraso.
Além disso, os docentes pedem a atribuição de habitação e o pagamento do bónus de localização para quem lecciona em zonas recônditas e de difícil acesso.
De acordo com uma reportagem da TV Miramar, a necessidade de complementar o orçamento familiar tem levado vários professores a priorizar actividades comerciais durante o horário lectivo.
Em resposta ao cenário crítico, o Governador da Zambézia reconheceu a urgência de aperfeiçoar as políticas públicas para o sector.
No entanto, o governante apelou ao compromisso ético dos educadores. Ele defendeu que a procura por rendimentos extras não deve, em caso algum, prejudicar as aulas nem o direito dos alunos à educação.
Por sua vez, a direcção provincial da ONP garantiu que não deixará os casos de absentismo impunes. A organização anunciou a abertura de uma investigação minuciosa para apurar a veracidade dos factos e alertou que os implicados poderão responder a processos disciplinares.
