
O antigo Ministro da Saúde de Moçambique, Ivo Garrido, causou controvérsia ao afirmar que “a sociedade civil, STV e outras associações foram compradas pelo governo”. A declaração, feita com mais detalhes no vídeo abaixo, levanta sérias questões sobre a independência da mídia e das organizações civis em Moçambique, especialmente em um momento de crescentes denúncias de corrupção, repressão e crise social no país.
Garrido, que ocupou o cargo de Ministro da Saúde entre 2005 e 2009 sob o governo de Armando Guebuza, não apresentou evidências concretas para sustentar sua acusação, mas a declaração ecoa preocupações de longa data sobre a influência do governo da Frelimo, no poder desde 1975, sobre instituições-chave. A Soico Televisão (STV), uma das principais emissoras privadas do país, tem sido criticada por setores da sociedade por uma suposta mudança em sua linha editorial, passando de uma postura crítica a uma cobertura mais alinhada ao governo, especialmente após as conturbadas eleições de 2024, marcadas por denúncias de fraude e protestos reprimidos.
A alegação de Garrido também aponta para a passividade de grande parte da sociedade civil diante de problemas graves como corrupção endêmica, sequestros frequentes e fome que afeta comunidades vulneráveis sem assistência adequada. Enquanto isso, organizações como o Centro de Integridade Pública (CIP) e a Comunidade para o Desenvolvimento e Democracia (CDD) destacam-se como exceções, mantendo-se firmes na denúncia de irregularidades. O CIP, por exemplo, continua a investigar o escândalo das “dívidas ocultas”, enquanto o CDD tem lutado contra restrições à liberdade de expressão, incluindo bloqueios à internet impostos pelo governo em 2024.
Até o momento, a STV e as associações não comentaram as acusações de Garrido.
MozToday, com base em declarações atribuídas a Ivo Garrido e análise de contexto.
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