Dez pessoas continuam em cativeiro na sequência de um ataque terrorista ocorrido no passado dia 3 de Setembro na região de Marangira, distrito de Marrupa, na província de Niassa, no interior da Reserva Especial de Niassa. Entre as vítimas sequestradas encontram-se sete crianças e dois cidadãos estrangeiros.
A incursão destruiu também infra-estruturas ligadas à empresa Moçambique Bio e à Wild Adventures (MWA). De acordo com o jornal Canal de Moçambique, a Moçambique Bio revelou que os sequestradores iniciaram contactos com o objectivo de obter dinheiro em troca da libertação dos reféns, embora o montante exigido ainda não tenha sido divulgado.
“São no total 10 reféns nas mãos dos terroristas. Estão a cobrar, mas ainda não sabemos quanto vão exigir. Estamos preocupados em salvar as vidas das pessoas e, por isso, não podemos avançar com muitos detalhes”, afirmou uma fonte citada pela publicação.
Entre os reféns confirmados estão sete crianças, um cidadão sul-africano e outro cidadão estrangeiro. Por razões de segurança e para não comprometer as acções de localização e resgate, outros detalhes e identidades das vítimas permanecem sob reserva. A empresa adiantou ainda que conseguiu retirar com sucesso quatro cidadãos norte-americanos da zona de perigo durante a emergência.
Campos agrícolas destruídos em Cabo Delgado
Paralelamente aos acontecimentos em Niassa, a crise de insegurança continua a ter forte impacto nas populações rurais do norte do país. Na aldeia de Lutete, localizada no distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado, produtores agrícolas denunciaram a destruição de cerca de 11 hectares de campos agrícolas.
Culturas de banana, cana-de-açúcar e gergelim foram incendiadas por supostos insurgentes que circulam na região. O pânico provocado pelos ataques levou vários agricultores a abandonar as suas áreas de produção por receio de novas incursões, agravando o risco de insegurança alimentar nas comunidades locais, que viram devastadas as suas principais fontes de rendimento e subsistência.
A província de Cabo Delgado enfrenta desde Outubro de 2017 uma insurgência armada associada ao Estado Islâmico, conflito que já provocou milhares de mortes e deslocou mais de um milhão de pessoas, alastrando-se pontualmente às províncias vizinhas de Niassa e Nampula.
