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Onda de assassinatos de mulheres leva Ramaphosa a admitir falhas e anunciar auditoria nacional de segurança

A África do Sul enfrenta mais um momento crítico no combate à violência contra as mulheres. Após a descoberta dos corpos de pelo menos 11 mulheres brutalmente assassinadas desde meados de julho no município de Ekurhuleni, a leste de Joanesburgo, o Presidente Cyril Ramaphosa veio a público em um pronunciamento transmitido pela televisão nacional para admitir falhas graves no sistema de protecção e anunciar novas medidas de emergência.

A série de crimes recentes, que vitimou maioritariamente jovens entre os 20 e os 30 anos — muitas encontradas sem roupa e com sinais de agressão sexual —, reabriu feridas profundas em um país que ostenta uma das taxas de feminicídio mais elevadas do mundo, de acordo com dados da ONU Mulheres.

A indignação popular atingiu o ápice com a localização da 11.ª vítima no último domingo, encontrada em um campo aberto, apenas um dia após outra mulher ter sido achada morta e parcialmente despida nas proximidades de um cemitério local. Diante do choque social e dos receios de que a proximidade dos locais pudesse indicar a acção de um único assassino em série, Ramaphosa esclareceu que, até ao momento, as investigações policiais — que já contam com quatro pessoas sob custódia — não encontraram provas que interliguem todos os homicídios.

Ainda assim, o chefe de Estado reconheceu expressamente a gravidade do cenário e a falha do poder público. Em declarações veiculadas pelo jornal O País, Ramaphosa afirmou compartilhar da raiva da população, enfatizando a necessidade de encarar a verdade incómoda de que o Governo não fez o suficiente e precisa agir com muito mais rigor.

Como resposta imediata, o Governo sul-africano criou uma força-tarefa multidisciplinar de nível nacional para investigar as mortes em Ekurhuleni e definiu metas claras de curto prazo. Em até 60 dias, será concluída uma auditoria nacional para mapear zonas de alto risco para as mulheres, como locais com iluminação deficiente, prédios abandonados e parques sem segurança.

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Além disso, a Polícia e a Procuradoria Nacional receberam um prazo de 90 dias para rever todos os casos não resolvidos de homicídios, tentativas de homicídio e agressões sexuais no país, ao mesmo tempo em que serão intensificadas as acções de combate ao abuso de álcool.

Embora a violência de género já tenha sido declarada calamidade nacional no ano passado, os indicadores continuam em níveis alarmantes, com mais de 5,4 mil homicídios registados no país apenas entre abril e julho. O cumprimento rigoroso destas novas medidas e prazos será determinante para restaurar a segurança e a confiança de uma nação abalada pela impunidade.