
No dia seguinte à demissão de François Bayrou, forçada por um voto de desconfiança no Parlamento, a França viveu esta quarta-feira, 10 de setembro de 2025, uma jornada de elevada tensão social.
O novo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, tomou posse perante um país paralisado pela mobilização do movimento “Bloquons tout”, que convocou manifestações e bloqueios em várias cidades.
Segundo o Ministério do Interior, cerca de 295 pessoas foram detidas em todo o território, das quais 171 em Paris, onde ocorreram os confrontos mais intensos. O governo mobilizou 80 mil polícias e gendarmes para tentar travar os protestos, um dispositivo raramente visto fora de situações de emergência nacional.
Na capital, os bloqueios concentraram-se no Boulevard périphérique, onde se registaram dezenas de detenções logo no início da manhã. Barricadas em chamas foram montadas nas portas de Bagnolet e Montreuil, obrigando à intervenção dos bombeiros. Um restaurante na zona do Châtelet foi igualmente consumido pelas chamas após incidentes relacionados com os protestos.
O movimento “Bloquons tout”, que ganhou força após a queda de Bayrou, denuncia as medidas de austeridade apresentadas pelo anterior executivo e exige uma mudança profunda de rumo político.
A estreia de Sébastien Lecornu como chefe do governo foi assim marcada por uma prova de fogo, colocando em evidência a fratura social que atravessa o país e deixando antever novos confrontos entre o poder político e a contestação popular.
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