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Eventual derrota de Lula pode ameaçar planos de Moçambique

A escassos dias das eleições presidenciais no Brasil, o cenário político na América do Sul está a ser acompanhado com forte expetativa em Maputo. A consolidação do favoritismo de Flávio Bolsonaro nas sondagens — que lidera com 52% das intenções de voto frente a Luiz Inácio Lula da Silva, acendeu o sinal de alarme em vários sectores estratégicos moçambicanos.

Em causa está o futuro de acordos bilaterais recém-assinados e financiamentos essenciais que somam centenas de milhões de dólares. Após um período de esfriamento diplomático entre 2019 e 2022, o regresso de Lula da Silva à presidência priorizou a cooperação Sul-Sul com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Essa reaproximação culminou na assinatura de nove instrumentos jurídicos estratégicos entre Lula da Silva e o Presidente Daniel Chapo.

Segundo o Jornal Dossiers & Facto, entre os compromissos assumidos, destaca-se o financiamento brasileiro estimado em 200 milhões de dólares para a construção de um Instituto de Oncologia e de um Hospital Materno-Infantil, além de parcerias na aviação civil, segurança digital, investigação agroflorestal e saúde pública.

A preocupação de analistas e diplomatas fundamenta-se no histórico recente e nas propostas da oposição. Durante a governação de Jair Bolsonaro, o continente africano ficou fora das prioridades diplomáticas brasileiras, sem registo de visitas oficiais e com propostas de encerramento de embaixadas. Adicionalmente, análises ao manifesto eleitoral de Flávio Bolsonaro, realizadas pelo Instituto Brasil África, indicam uma atenção nula a parcerias de cooperação com países africanos, o que gera receios de que os projectos assinados nunca cheguem a sair do papel.

Os frutos desta cooperação bilateral têm sido historicamente marcantes para o desenvolvimento moçambicano. Exemplos concretos incluem a Sociedade Moçambicana de Medicamentos, criada com suporte técnico da Fiocruz para a produção de antirretrovirais e genéricos, os investimentos no Corredor e no Aeroporto Internacional de Nacala, e a transferência tecnológica na área da transformação digital. Uma mudança de rumo no Palácio do Planalto poderá, assim, ultrapassar a esfera política e afectar directamente a execução de infraestruturas cruciais para o país.

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