Trinta e quatro anos após a assinatura do Acordo Geral de Paz, o Presidente da República, Daniel Chapo, defende que a estabilidade de Moçambique exige uma nova grande conquista: a transformação estrutural da economia e a consolidação da independência financeira do país.
As declarações foram feitas na cidade de Xai-XAI, durante as cerimónias centrais que assinalaram o trigésimo quarto aniversário do fim do conflito armado. O evento contou com a presença de governantes, líderes políticos, representantes religiosos e população local.
Na sua intervenção, o Chefe de Estado sublinhou que a manutenção da estabilidade nacional já não depende apenas de acordos políticos. Segundo Chapo, a paz exige agora o aprofundamento do diálogo inclusivo, o reforço da unidade nacional e a capacidade de dar respostas concretas às necessidades diárias do povo moçambicano.
O governante lembrou que o ano de 1975 marcou a conquista da independência política e 1992 trouxe a paz formal após 16 anos de guerra civil. No entanto, o momento actual exige focar todas as atenções na sustentabilidade financeira e no desenvolvimento social.
Segundo avança o jornal O País, Chapo reiterou que a paz precisa de traduzir-se em melhorias directas na qualidade de vida diária das famílias.
Na prática, esta nova fase deve significar comida na mesa, criação de emprego digno para jovens e mulheres, aumento do rendimento familiar e renovação da esperança num futuro melhor.
“A próxima grande fronteira da nossa paz chama-se transformação estrutural da nossa economia”, destacou o Presidente da República.
Para materializar esta visão económica, o Governo pretende focar-se na industrialização, no desenvolvimento da agricultura e do turismo, e no fortalecimento do empresariado nacional. O objectivo central é aumentar a produção interna, alavancar as exportações e reduzir drasticamente a dependência de importações.
Neste âmbito, foram destacadas medidas legislativas e financeiras cruciais, tais como a aplicação das novas Leis de Minas e de Petróleo, a implementação da Lei do Conteúdo Local e o papel do Banco de Desenvolvimento de Moçambique.
Diante da nacção, Daniel Chapo sustentou que o Diálogo Nacional Inclusivo é a principal ferramenta para gerir divergências sem comprometer o tecido social.
O Presidente garantiu que este processo está a ouvir cidadãos em todo o território nacional e na diáspora. Salientou ainda que o debate plural não pertence ao Governo nem aos partidos, mas sim a todo o povo moçambicano.
Um dos focos centrais do discurso foi a geração nascida depois de 1992. Para estes milhões de jovens que nunca vivenciaram a guerra, o Chefe de Estado redefiniu o significado de paz.
Para a juventude, a paz deve traduzir-se em acesso a uma educação de qualidade, empregos sustentáveis e acesso à tecnologia. Chapo aproveitou também para alertar sobre os perigos da desinformação, da manipulação e dos boatos nas redes sociais, que podem ameaçar a coesão social.
No domínio da segurança, a situação instável na província de Cabo Delgado e o combate ao terrorismo foram classificados como prioridades inegociáveis.
O Presidente reafirmou o compromisso do Estado em combater o extremismo violento, a corrupção e o crime organizado, apelando à solidariedade nacional para com as populações afectadas do norte do país.
Ao encenar as celebrações — assinaladas sob o lema “A Religião como Promotora da Paz e Segurança” —, Chapo enalteceu o papel histórico das confissões religiosas na mediação de conflitos.
O Chefe de Estado concluiu com um apelo para que cada escola, família e instituição se transforme num agente activo de reconciliação e convivência pacífica em Moçambique.
