Uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciou esta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, uma visita oficial a Moçambique para discutir um potencial programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada (ECF – Extended Credit Facility).
O encontro insere-se no quadro da cooperação de longa data entre o Estado moçambicano e o FMI e tem como objectivo avaliar o desempenho macroeconómico recente, o progresso das reformas em curso e as perspectivas futuras de apoio técnico e financeiro.
A Ministra das Finanças, Carla Loveira, destacou que a economia moçambicana está a registar sinais de recuperação gradual em 2026, apesar da inflação ter aumentado devido à pressão contínua sobre os preços dos combustíveis. Sublinhou, contudo, que a taxa de inflação permanece abaixo dos dois dígitos.
Loveira reconheceu que persistem desafios de liquidez na tesouraria, o que dificulta a execução plena do orçamento e o cumprimento integral do serviço da dívida. Ainda assim, assegurou que o Governo está empenhado em implementar medidas de consolidação fiscal apresentadas na missão anterior.
Segundo a Ministra, o Executivo espera que esta missão estabeleça as bases para alcançar um Staff Level Agreement e que o mesmo seja aprovado pelo Conselho Executivo do FMI até ao final de 2026.
Por sua vez, o chefe da missão do FMI, Pablo Lopez-Murphy, afirmou que o Fundo pretende aprofundar a análise sobre os últimos desenvolvimentos fiscais, a estratégia de gestão da dívida e o enquadramento macroeconómico, com vista a apoiar o futuro programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada.
O Governo moçambicano mostra-se confiante no potencial económico do país a médio prazo, destacando os benefícios esperados dos projetos de Gás Natural Liquefeito (GNL), nomeadamente o relançamento do projeto TotalEnergies Moçambique GNL em janeiro de 2026 e a saída recente da lista cinzenta do GAFI.
