O custo de vida em Moçambique voltou ao centro do debate público na sequência de uma carta aberta endereçada ao Presidente da República, datada de 1 de novembro de 2026 e assinada pelo activista de direitos humanos e justiça social, Adriano Nuvunga.
Sob o lema “Nenhum cargo dá o direito de encarecer a sobrevivência do povo”, o documento aponta o dedo a instituições estatais e exige uma intervenção imediata do Governo para travar a subida dos preços de produtos de primeira necessidade, como o arroz e o pão.
De acordo com a missiva, a realidade económica sentida no país traduz-se directamente na redução das refeições diárias das famílias. O activista sublinha que “o arroz está mais caro, o pão está mais pequeno e as famílias estão a comer menos“, criando um cenário de angústia generalizada sobre o futuro alimentar dos cidadãos.
O texto aponta directamente para os encargos e impostos aplicados à importação de arroz e trigo, defendendo que medidas adotadas pelo Ministério da Economia (ME) e pelo Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) estão a sufocar o sector privado e a encarecer artificialmente a alimentação básica.
Na carta, Nuvunga apela para que o Chefe de Estado intervenha com urgência, classificando as taxas actuais como um golpe contra o povo e alertando que a prioridade dos dirigentes deve ser servir os cidadãos e não proteger privilégios. O autor da missiva reforça que o silêncio presidencial não é neutro, pois acaba por proteger quem encarece a sobrevivência da população.
Por fim, o activista exige a libertação da economia de interesses corporativos e lembra que a repressão policial não resolve os problemas estruturais de escassez e custo de vida que afectam as famílias moçambicanas.
