
Num novo episódio que reacende o debate sobre quem realmente detém o poder em Moçambique, um vídeo divulgado recentemente está a provocar intensas reacções políticas e sociais. As imagens mostram o antigo Presidente Joaquim Chissano a caminhar à frente com ar de comando, enquanto o actual presidente da FRELIMO, Filipe Chapo, segue-lhe atrás, com postura discreta e submissa.
Para muitos observadores, esta não é apenas uma questão de protocolo ou casualidade. É, antes, uma demonstração simbólica de hierarquia real — uma encenação clara do poder informal que Chissano ainda exerce nos bastidores do Estado. “Chapo é apenas a capa!”, afirmam vozes críticas. “O verdadeiro estratega continua a ser Chissano, que nunca largou completamente as rédeas do poder.”
A cena do vídeo é interpretada como um recado directo à população e às elites políticas: quem manda de facto continua a ser o homem que liderou Moçambique durante 18 anos após a guerra civil. Chapo, nesse contexto, surge como um actor secundário num enredo político cuja direcção está firmemente nas mãos do ex-Presidente.
“Foi uma exclusão simbólica e pública”, comenta o nosso comentador. “Depois daquele vídeo, se fosse Chapo, eu teria vergonha de continuar a fingir que tenho qualquer poder real.”
A leitura dominante é que, por detrás da fachada democrática e do jogo partidário, persiste uma estrutura paralela de comando onde ex-dirigentes continuam a exercer influência decisiva, comprometendo a renovação política e a autonomia das novas lideranças.
A percepção está lançada: muitos já perceberam e, cada vez mais, dizem em voz alta — Chapo é o porta-voz de um ex-presidente que se recusa a deixar o palco. E o país inteiro está a assistir.