Uma nova vaga de insegurança na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, obrigou pelo menos 4.445 pessoas a abandonar as suas casas entre 21 de Setembro e 2 de Outubro de 2026.
De acordo com dados avançados pelo jornal O País, os movimentos populacionais foram precipitados por ataques e pelo receio de novas incursões de grupos armados não estatais em vários distritos da região.
Os dados divulgados baseiam-se no mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Os principais fluxos concentraram-se em localidades específicas, com destaque para Nangade, que registou a saída de 2.682 pessoas apenas na localidade de Nambedo e acolheu no total 3.041 cidadãos, equivalente a 68% do total afectado.
No distrito de Macomia, a localidade de Chai registou a fuga de 569 pessoas, com a região a contabilizar 1.174 novas chegadas, sobretudo no Centro de Nondje. Por sua vez, a região de Miengueleua, em Muidumbe, contabilizou 370 deslocados em fuga para zonas mais seguras, havendo ainda registo de movimentações para os distritos de Mueda e para comunidades de acolhimento em Namacande.
A maioria da população afectada percorreu o trajecto a pé ou de autocarro, enfrentando condições extremamente adversas. Do total de deslocados, 54% são crianças, o equivalente a 2.390 menores, acompanhadas por 1.364 mulheres e 691 homens.
O levantamento da OIM identifica um perfil de extrema vulnerabilidade entre os deslocados. Entre eles encontram-se 85 mulheres grávidas, 73 idosos com mais de 60 anos, 31 crianças desacompanhadas ou separadas das famílias, 31 pessoas com deficiência e 10 com doenças crónicas.
Neste momento, a duração destes deslocamentos permanece incerta, enquanto a alimentação, o abrigo e bens não alimentares urgem como as necessidades mais básicas e prementes para as famílias afectadas, que enfrentam um cenário de grande carência.
Rica em gás natural, a província de Cabo Delgado enfrenta desde 2017 uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados. A situação de segurança tem vindo a registar episódios de agravamento, com um aumento de 10% nos incidentes de conflito no primeiro semestre face ao período homólogo de 2025, de acordo com relatórios do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Actualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas continuam a viver com as consequências directas da instabilidade na província, enfrentando a destruição de meios de subsistência, a interrupção da educação das crianças e o trauma psicológico de deslocações recorrentes.
