Uma carta aberta dirigida ao Presidente da República por Adriano Nuvunga, activista de direitos humanos, trouxe à tona novas discussões sobre políticas de reconhecimento e distribuição de recursos no país.
O documento critica a decisão governamental de reservar 10% dos projectos agrícolas exclusivamente para antigos combatentes da luta de libertação nacional. Para Nuvunga, a medida é discriminatória e cria uma hierarquia de sacrifícios que exclui outras memórias de sofrimento vividas pelos moçambicanos.
Na carta, o activista recorda a guerra civil de 16 anos, que provocou mais de um milhão de mortes, e a violência em curso em Cabo Delgado. Ele questiona que percentagem de recursos será destinada às vítimas desses conflitos.
O texto cita a Constituição da República, sublinhando os princípios de igualdade, reconciliação e unidade nacional. Nuvunga alerta que a política pode institucionalizar privilégios históricos, em vez de promover uma abordagem inclusiva.
A carta termina com um apelo à criação de uma política nacional transparente e abrangente, capaz de reconhecer todas as vítimas de violência e consolidar a reconciliação.
