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Lutamos pela libertação, não por privilégios: Veterano da FRELIMO questiona rumo de Moçambique

O jurista, membro da FRELIMO e veterano da Luta Armada de Libertação Nacional, Óscar Monteiro, manifestou a sua indignação e insatisfação em relação ao estado actual do país, 62 anos após o início da Luta Armada. Monteiro defende rigorosamente que os combatentes lutaram pela libertação total de Moçambique e não pela conquista de riquezas, privilégios ou benefícios pessoais.

As declarações foram prestadas em Maputo, na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), durante uma sessão de reflexão alusiva aos 62 anos da Luta Armada, sob o tema “História, Humana, Soberania e os Desafios de Moçambique Contemporâneo”.

Conforme reportado pelo jornal Evidências, o veterano abordou a erosão dos padrões éticos nas instituições públicas e alertou para uma grave crise moral, na qual o dinheiro passou a sobrepor-se ao trabalho e à ética.

Durante a sua intervenção, Monteiro esclareceu que a crítica não significa rejeitar a prosperidade individual, desde que esta resulte do trabalho árduo. O problema, segundo o veterano, reside na tentativa de transformar a participação na luta de libertação num pretexto para reivindicar um direito especial de enriquecimento sem o devido esforço produtivo.

Nesse âmbito, o quadro sénior da FRELIMO discordou publicamente do recente anúncio feito pelo Presidente da República, Daniel Chapo, de reservar 10% dos projectos do sector agrário para os veteranos. Para Monteiro, a própria libertação da pátria já constitui a recompensa principal dos combatentes.

Na mesma linha de pensamento, rejeitou categoricamente a transmissão de vantagens hereditárias aos descendentes dos combatentes, afirmando que “os nossos filhos são filhos de combatentes, não são combatentes”. Defendeu, por isso, que o apoio do Estado aos filhos dos veteranos deve ocorrer exclusivamente por via de mecanismos de capacitação, como bolsas de estudo, e nunca mediante a atribuição automática de privilégios.

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As críticas mais contundentes incidiram sobre a corrupção, o desvio de recursos públicos e o impacto do dinheiro na política. Monteiro citou instituições como o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) e o Ministério das Finanças como espaços que devem ser rigorosamente protegidos, condenando ainda a prática da compra de votos no seio dos partidos políticos como uma conduta incompatível com a ética pública.

Ao analisar a história e os conflitos políticos em Moçambique, o jurista defendeu que a RENAMO não deve ser vista apenas como um partido político, mas sim como a “expressão de um conflito não resolvido dentro da sociedade moçambicana”. Apelou a uma maior abertura e transparência na gestão das divergências sociais, regionais e institucionais para evitar a perpetuação de tensões no país.

Por fim, Óscar Monteiro dirigiu uma mensagem de esperança à nova geração, encorajando os jovens e as instituições públicas a assumirem a responsabilidade de reconstruir os valores éticos e a integridade. Reiterou que defender o Estado moçambicano é o caminho fundamental para salvaguardar a unidade nacional e a coesão social perante a diversidade do país.