Rapper adorado pela Geração Z torna-se referência política no Nepal após protestos e caos

Katmandu — Um dos rostos mais inesperados a emergir da atual crise política no Nepal é o de Balendra “Balen” Shah, antigo rapper e hoje presidente da Câmara de Katmandu. Ídolo da Geração Z nepalesa, Balen transformou a popularidade conquistada através da música em influência política, ao ponto de ser visto como alternativa real à elite partidária tradicional.
As manifestações, que abalaram o país nas últimas semanas, tiveram origem na indignação popular contra a corrupção, o nepotismo e, sobretudo, a proibição de 26 redes sociais pelo governo, medida entendida pelos jovens como ataque frontal à liberdade de expressão. Nas ruas, milhares de manifestantes desafiaram a repressão policial, erguendo cartazes com a imagem do autarca, que se tornou símbolo de uma política diferente.
Balen Shah, engenheiro civil de formação, construiu a sua notoriedade inicial como rapper, criticando a desigualdade social e os abusos da classe dirigente. Em 2022, venceu as eleições municipais de Katmandu como candidato independente, gesto visto como uma rutura histórica com o domínio dos grandes partidos.
Apesar de não se envolver diretamente na organização dos protestos, Shah declarou solidariedade com os jovens, afirmando que as suas preocupações “são legítimas e precisam de ser ouvidas”. O seu discurso reforçou o apoio popular, sobretudo entre os mais novos, que o veem como possível candidato a primeiro-ministro.
Analistas políticos alertam, no entanto, que a sua ascensão enfrenta obstáculos institucionais: a Constituição nepalesa prevê procedimentos complexos para substituição de governos, e os partidos tradicionais continuam a deter controlo das estruturas de poder.
Ainda assim, o fenómeno político de Balen Shah é incontestável. De rapper a gestor da capital, ele surge agora como a figura que melhor encarna o desejo de mudança da juventude nepalesa — uma geração cansada de promessas incumpridas e que clama por novos líderes.
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