
As forças armadas chinesas anunciaram esta terça-feira que lançaram exercícios conjuntos envolvendo o exército, a marinha, a força aérea e a força de mísseis em torno de Taiwan como um “aviso sério”, dias depois de secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ter prometido combater “a agressão da China” na sua primeira visita à Ásia.
As forças armadas chinesas vão “aproximar-se” da ilha autónoma a partir de “várias direções” nos exercícios e manobras práticas, incluindo “ataques a alvos marítimos e terrestres” e “bloqueio em áreas-chave e rotas marítimas” para testar as capacidades de operações conjuntas das tropas, disse o Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular (ELP) numa declaração nas redes sociais.
“É um aviso severo e uma forte dissuasão contra as forças separatistas da ‘Independência de Taiwan’, e é uma ação legítima e necessária para salvaguardar a soberania e a unidade nacional da China”, acrescentou o comunicado.
Os últimos exercícios militares da China ocorrem no momento em que Taiwan observa com nervosismo o presidente dos EUA, Donald Trump, transformar as relações globais de Washington com a sua política externa mercantilista “America First”, descartando garantias de décadas em relação à Europa e pressionando aliados e parceiros asiáticos de longa data a pagar mais pela proteção dos EUA.
Entretanto, responsáveis próximos de Trump têm sublinhado repetidamente a necessidade de os EUA concentrarem a sua atenção e recursos na luta contra as ambições da China no Indo-Pacífico.
Para Taiwan, uma democracia de cerca de 23 milhões de pessoas que fica a apenas 145 quilómetros da China no seu ponto mais próximo, os exercícios são o mais recente lembrete da ameaça que vem do seu gigante vizinho, que reivindica a ilha como sua e prometeu tomá-la pela força, se necessário.
As autoridades de Taiwan condenaram os exercícios como “imprudentes” e “irresponsáveis”.
“Foram realizados sem justificação, violam as leis internacionais e são totalmente inaceitáveis. As democracias têm de condenar a China por ser um criador de problemas”, afirmou Joseph Wu, secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, numa publicação no X.
O Ministério da Defesa de Taiwan disse ter detetado 71 aviões militares chineses e 13 navios da marinha perto de Taiwan, bem como um grupo de navios de guerra liderado pelo primeiro porta-aviões chinês construído internamente, o Shandong, no Pacífico Ocidental.
O ministério acrescentou que as suas tropas estão em “alta vigilância” para responder à situação.
As forças armadas de Taiwan enviaram os seus próprios aviões e navios, e instalaram sistemas de mísseis terrestres para acompanhar de perto a situação e responder de forma adequada, afirmou o Ministério da Defesa da ilha numa declaração sobre o grupo do porta-aviões Shandong.
O Comando do Teatro Oriental divulgou um vídeo da participação do ELP nos exercícios desta terça-feira, mostrando fragatas chinesas, aviões militares a descolar e mísseis a serem colocados em posição de lançamento.
No final do dia, o Comando do Teatro Oriental informou que organizou formações navais e da força aérea para realizar exercícios nas águas do norte, do sul e do leste em torno de Taiwan, em coordenação com mísseis convencionais e rockets de artilharia de longo alcance. Não informou quanto tempo durariam os exercícios.