Dom. Abr 6th, 2025

Desmobilizados denunciam desvios em pensões, RENAMO nega

Em Moçambique, ex-guerrilheiros da RENAMO, desmobilizados no processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), denunciam uma suposta “burla” no pagamento das suas pensões. Numa carta pública divulgada, na quinta-feira (03.04), o grupo afirma que cada desmobilizado deveria receber cerca de 2,4 milhões de meticais por ano (cerca de 35 mil euros) durante um ano após a desmobilização.

Em entrevista à DW, Vitorino Caravela, representante do grupo, diz que a comissão que negociou a desmobilização garantiu ao grupo que lhes iria ser entregue “o valor em cheque e material de construção”. Mas que, no final, os desmobilizados “só receberam 1500”.

A RENAMO nega as acusações. Segundo André Magibire, chefe do Grupo de Diálogo sobre Assuntos Militares da RENAMO, não foi acordado com os desmobilizados o valor em causa.

“Os combatentes foram desmobilizados. No ato de desmobilização, receberam um kit. Reconheço que era um kit básico, mas durante um ano receberam um valor, que variava de acordo com a patente de cada um. Um general, durante aquele ano, por mês, recebeu cerca de 69 mil meticais. O soldado recebeu seis mil”, disse.

Desvio do valor?


Vitorino Caravela insiste que este não era o valor acordado. Segundo o representante do grupo, foi a “própria União Europeia que, em Cabo Delgado, disse aos desmobilizados que eles iriam receber 250 mil meticais (por mês)”. E acusa a direção da RENAMO de desviar o resto do valor, apontando o presidente do partido, Ossufo Momade, como o responsável pelo desvio.


“Esse, sem dúvida, é o cérebro do desvio do nosso valor”, acusou.

Magibire responde que “não reconhece que tenha havido essa promessa de que receberiam 250 mil meticais por mês”.

“Eu não ouvi. Se lhes foi prometido, então que se procure a pessoa que prometeu”, afirma.

Manica: Ex-guerrilheiros da RENAMO defendem Momade

Sobre as acusações de desvio do dinheiro, o chefe do Grupo de Diálogo sobre Assuntos Militares da RENAMO questiona: “Como é que se fica com dinheiro que é pago pela comunidade internacional ou para o Estado? Como? Transfere-se esse dinheiro para a minha conta, acha que é possível?”

Magibire diz que “é preciso dizer claramente que não existe nenhum quadro da RENAMO que tenha recebido esse esse valor”. E que “é preciso perceber que a tendência que existe é a de manipular a opinião pública nacional e Internacional, com objetivos bastante obscuros”.

“Antes do pagamento das pensões, havia vozes que diziam que nunca haveria pensão”, conclui.

Vitorino Caravela diz que não é objetivo dos desmobilizados voltar à guerra. O seu objetivo com a carta divulgada, diz, “é pressionar” “de forma a fazer com que alguém sinta, como no caso da pessoa do Presidente, que não pode ter um caso assim”. DW

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