Sáb. Abr 5th, 2025

Falta de divisas impossibilita importação de trigo

Há empresários que não conseguem importar a matéria-prima devido à escassez de moeda estrangeira no mercado financeiro nacional. Caso o problema perdure, o sector privado prevê o encerramento de algumas indústrias.

Começa a soar o alarme vindo do sector privado, dando conta dos possíveis impactos causados pela falta da moeda estrangeira no mercado financeiro nacional, sobretudo o dólar.

O País ouviu o Presidente da Associação Moçambicana dos Panificadores, AMOPAO, que revelou ter recebido notificação de moagens que se queixam de dificuldades em importar matéria-prima.

Vitor Miguel explicou que, de acordo com o ofício recebido, a moageira, que pode ser uma das tantas em crise, defende que a situação “pode implicar na falta de matéria-prima deles, que é o grão, e levá-los a encerramento. Se de facto as moegeras encerraram, obviamente que isso vai ter uma implicação muito grande para nós que somos o consumidor final, portanto nós vamos ter, naturalmente, dificuldades em termos de produzir se efectivamente não recebermos farinha de trigo”.

A nossa reportagem sabe que o ofício em causa foi também encaminhado ao ministério da Economia. Vítor Miguel teme por momentos conturbados no futuro.

“É difícil porque nós não temos recurso interno, portanto não há uma produção  interna do trigo, o trigo vem sempre de fora e naturalmente se não entrar o grão aqui em Moçambique, vamos ter uma crise enorme naquilo que é a nossa produção e pode haver de facto a escassez de pão”, disse.

A escassez de divisas não afecta apenas o sector de panificação, conforme explicou o Director executivo da CTA.

“Os sectores maioritariamente afectados, particularmente a indústria alimentar, com respeito à importação de matérias-primas diversas, tivemos a área de viagens, turismo, obviamente o próprio comércio em si, porque muitos produtos são importados, por exemplo a importação de produtos como arroz tem sido muito afectada. E também ultimamente já nos sectores de combustíveis, que já vinha sendo alertado que isso poderia afectar o sector de combustível também, disse Eduardo Sengo.

Sengo diz que o problema é bem mais antigo, de total conhecimento do Banco Central e que, inclusive, já houve propostas para melhorias.

“Um dos aspectos que em primeiro lugar é preciso ser feito é que a curto prazo tem que iniciar medidas de controle das exportações, no sentido de que a receita das exportações  possa ser de facto repatriada para o país e daí se disponibilize para que o mercado tenha liquidez de modo estrangeiro. Há uma tendência de os exportadores reterem a receita quando chegam aqui em Moçambique,  quando chegam no país, no lugar de vender os dólares, vender os euros para o mercado, alimentar o mercado, preferem reter até haver uma situação muito específica que eles obrigam a vender”.

Mas o Governador do Banco de Moçambique nega haver falta de liquidez, numa conferência de imprensa concedida na semana passada.

“Avaliamos, como sempre avaliamos, não só para o CPO, nós avaliamos a liquidez diariamente. E posso, com a certeza absoluta dizer que neste momento nós estamos tranquilos com o nível de liquidez que existe no sistema Não há necessidade de tocar na liquidez existente, mexendo com as reservas obrigatórias, por isso vamos manter”, defendeu Rogério Zandamela.

Eduardo Sengo ouviu a declarações e disparou:

“Se o Banco Central vê que existem divisas no mercado, existe liquidez suficiente para lidar com a situação, com a demanda que está a emergir por parte das empresas, então tem  que perceber os bancos comerciais, o que está a acontecer para essa liquidez não fluir.  Será devido ao comportamento dos determinantes das divisas, particularmente dos exportadores? Se for por isso, então, que medidas devemos verificar? Nós sabemos que, em parte, também pode ser isso. Será porque nós temos números na economia, mas o que se reflete no setor real não são aqueles números? Qual é o problema?”, questiona e desafia a procurar soluções.

Durante uma visita à província de Nampula, na semana finda, os empresários disseram ao Presidente da  República que enfrentavam falta de divisas. Daniel Chapo prometeu buscar soluções junto ao Banco de Moçambique e aos bancos comerciais.

A CTA avançou ainda que caso a situação se mantenha, muitas indústrias poderão fechar as portas.

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