Sáb. Abr 5th, 2025

“Venâncio tinha o poder do país e ele está entregando”, disse líder do AMUSI



Depois de um ligeiro silêncio, após as eleições de 9 de Outubro de 2024, o Presidente do partido Acção de Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI), Mário Albino, convocou a imprensa para chamar atenção a Venâncio Mondlane, ex-candidato presidencial, a preservar o respeito para com o povo que tanto lhe acarinhou até na valorização em que se encontra hoje.

Mário Albino faz parte de alguns moçambicanos que estranharam o primeiro encontro entre Venâncio Mondlane e o Presidente da República, Daniel Chapo, pelo facto de o mesmo ter sido feito de maneira clandestina, e acima de tudo na calada da noite.

Para o candidato presidencial nas eleições gerais de 2019, pelo partido AMUSI, Venâncio Mondlane, ao receber o convite para o referido encontro, devia comunicar aos demais moçambicanos que sempre depositaram confiança na sua pessoa.

Depois de vários contactos com o povo, antes, durante e depois das eleições, Mário Albino disse não perceber porque hoje Venâncio Mondlane teve receio de comunicar o encontro com o seu principal adversário no escrutínio passado, sobretudo em razão da referida sentada ter agenda principal a discussão de assuntos que mexem com a vida dos próprios moçambicanos.

O líder do AMUSI disse não estar contra o envolvimento de Venâncio Mondlane no processo de diálogo para a paz em Moçambique, mas estranha nos moldes em que esse envolvimento começa a ser feito, pois pode concorrer em aliciamentos que o próprio VM7, como é carinhosamente tratado, pode não suportar e nele cair, abandonado assim o povo a quem jurou defender.

“De facto, nós estamos a perceber que este assunto não devia começar assim, porque o povo que o representa, porque temos acompanhado que ele é presidente do povo, devia respeitar neste processo de conversa. Primeiro devia criar condições, informar que no dia x e na hora y vamos ter um encontro na Presidência da República, para esse povo encarregar-lhe a mensagem. Não acontecendo isso, estamos a tomar conhecimento de que foi um encontro da noite e a portas fechadas. Parece repetir aquilo que acompanhamos depois das eleições em que acusavam o Forquilha de que tomou posse sem consultar ao povo”, começou por observar Mário Albino.

“Ele agora vai liderar uma conversa do povo, uma negociação do interesse do país sozinho, sem antecipar o povo, sem ouvir o povo, não sei que nome vai ter, mas queremos explicar que para um assunto sério, para um assunto do país, não é correcto”, alegou o líder do AMUSI.

Para Albino, “o perigo é que nós políticos muitas vezes quando sentimos que dominamos as mentes dos moçambicanos, viramos o próprio país. Isso é perigoso porque as pessoas vão esquecendo aqueles que asseguraram a democracia desde a sua implantação, estamos a falar do partido político. Hoje em Moçambique ninguém pensa do partido, pensa numa direcção e essa direcção virá Moçambique e sozinho pode negociar e assim estamos a arrastar o país para o abismo que estamos a assistir. Estamos a arrastar o país ao monopartidarismo, porque as pessoas ficam nas suas mentes apagadas de partidos políticos”, prosseguiu.

“Eu concordo que são importantes as conversações no país, a presença dele [Venâncio Mondlane] é indispensável, mas o que deve acontecer é que deve-se convocar os partidos concorrentes nessas eleições de conflitos, depois a sociedade civil e outras personalidades, depois esses candidatos que se dizem de renome para se sentar e discutir”, entende.

“É isso que nós estamos a apelar que as pessoas não vendam este país, este país é dos moçambicanos, não pode o problema deste país se resolver numa noite a porta fechada, com duas pessoas, porque o povo está a sofrer, os jovens estão desesperados, muitos perderam sobrinhos, irmãos, continuamos a dizer que esse tipo de conversação pode acontecer quando se trata de assunto pessoal”, prosseguiu o número um do AMUSI.

Segundo profetizou Mário Albino, o encontro entre Chapo e Mondlane, não vai trazer resultados esperados, por considerar que ninguém tem visão que acomoda todos os moçambicanos.  “Por isso quando se chama da democracia, quando se chama de descentralização, é necessário que os poderes sejam separados, que os poderes não devem estar acumulados. Pensar que há uma pessoa que acumulou poderes para satisfazer a todo povo, não é. O que aconteceu nas manifestações, nas eleições foi a fadiga dos moçambicanos, então, quando ouviram alguém que parou e dizia isto e aquilo não está certo, eles não precisaram aqui de cor partidária, precisaram de estar ao lado desse indivíduo, esse indivíduo deve ter capacidade de chegar na recta final, parar e olhar para trás, solicitar aqueles todos que corriam com ele e ouvir deles o que é que deve ser para o país”.

Venâncio tinha o poder do país e ele está entregando

Mário Albino não desconhece a popularidade de Venâncio Mondlane, sobretudo por aquilo que demonstrou nas eleições que participou. Entretanto, reitera o seu inconformismo por ir se encontrar com o Presidente da República e da Frelimo na calada da noite, para alegadamente discutir assuntos do país.

Para Muquissince, como também é carinhosamente tratado o líder do AMUSI, o encontro nocturno de Mondlane simboliza que o controlo que detinha sobre o país devolveu ao regime.

“Venâncio tinha o poder do país e ele está entregando, está entregando, o espectáculo da Frelimo já começou. Agora a Frelimo já começou a requalificar aquelas suas sedes que foram vandalizadas, como quem diz tudo já acabou”, referiu Mário Albino.

Segundo reiterou a fonte, “é importante a presença de Venâncio na mesa das negociações, mas do jeito em que o Venâncio está à procura de se entregar, ou entregar o país, isso nos deixa preocupado. É necessária a sua participação, seu contributo é importante porque o povo ele tem, os partidos têm povo, aqui não se pode excluir Venâncio nas negociações, ele é peça principal, mas ele deve ter cautelas quando vai, porque ele corre risco de entrar no laços do passarinheiro.  Aquele que quer capturar o passarinho usa um laço e coloca ali uma mapira e se o passarinho estiver atraído pela mapira, ele não procura o sobrinho aonde deixou, só corre para aquela mapira, só depois de ser capturado aí é que começa a preocupar-se. Por isso, cuidado Venâncio, deve ser inteligente. Respeitar aquele povo que lhe respeitou”, rematou o líder do AMUSI.

Mário Albino já foi candidato à presidência nas eleições gerais de 2019, tendo terminado em quarto lugar. Para as eleições do ano passado, viu sua candidatura ser chumbada pelo Conselho Constitucional, alegadamente por não reunir os requisitos plasmados pela lei eleitoral.

Já o seu partido conta com cinco participações consecutivas nos processos eleitorais, mas os resultados não têm sido os desejados, razão pela qual não tem representação em nenhum órgão de decisão do país. Aliás, mesmo os termos de referência para o diálogo política que nove formações políticas assinaram, AMUSI não consta. (Ikweli)

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