
O Ministério moçambicano da Saúde (MISAU) quer acabar com esquemas de desvio de medicamentos pertencentes ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) em todo território nacional.
Para o efeito, prevê-se introduzir um sistema de rastreio que, com o apoio da Correia do Sul, poderá rastrear através de um selo, o local para onde os medicamentos são levados após a sua retirada nos armazéns e hospitais.
A informação foi avançada recentemente à Imprensa, pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse, na província de Nampula, que começou por reconhecer ser uma das maiores fraquezas do sector.
Dados partilhados pelo governo de Nampula indicam que, só nesta província, entre os anos de 2022 e 2024, foram expulsos do SNS 6 profissionais de saúde por desvio de medicamentos.
“Significa que me preocupa este problema de desvio de medicamentos e colocamos como prioridade para resolver. Vamos introduzir brevemente, um piloto com apoio de uma empresa da Coreia do Sul que é chamado rastreamento de medicamento. O medicamento começará a vir com um selo próprio e se alguém, por exemplo, abre aquele selo onde estiver o sistema electrónico vai identificar que este medicamento não está no hospital, mas no sítio X e aí podemos accionar a polícia para agir.”
Segundo avançou o titular da pasta da saúde, o MISAU quer ainda envolver os diversos estratos sociais de forma a garantir maior observância e mapeamento dos fármacos com o fim único de acabar com o desvio de medicamentos no país.
“É por isso que decidimos, também, avançar com o envolvimento comunitário. Estar perto das comunidades e estas comunidades estão dispostas a ajudar o sector, se nós sairmos agora para visitar as casas de alguns colegas vamos apanhar surpresa, porque o hospital está lá. O que me preocupa nesse momento, é melhorarmos a nossa gestão interna no sector, com maior vigilância e maior fiscalização para poder resolver este problema.”
Por outro lado, o sector vai adotar um mecanismo de comunicação com vista a evitar que aos pacientes sejam prescritos medicamentos que a nível dos centros de saúde não existem. Uma rotina que, segundo avançou, passará a ser feita pelos farmacêuticos todas segundas-feiras.
“Os farmacêuticos deverão partilhar com todos aqueles que prescrevem medicamentos nos hospitais, a disponibilidade de medicamentos naquela semana para evitar prescrever medicamentos que não estão disponíveis.”
Importa referir que tal sistema poderá surgir numa altura em que, vezes sem conta, os pacientes queixam-se de escassez de medicamentos a nível das farmácias públicas, obrigando-os assim a recorrerem às privadas para aquisição de fármacos. (Ikweli)