
Esquadrões de fiscalização formados por jovens estudantes estão patrulhando as ruas de Chongjin, na província de Hamgyong, na Coreia do Norte, com o objetivo de reprimir cidadãos que utilizarem roupas consideradas “inapropriadas” pelo regime.
As operações, realizadas diariamente entre 14h e 18h, fazem parte de um esforço do governo para impor padrões de vestuário alinhados à ideologia socialista. Entretanto, a medida tem gerado revolta entre a população, especialmente após a detenção de uma criança de sete anos por vestir roupas com inscrições em inglês.
Segundo fontes locais ouvidas pelo Daily NK, os esquadrões são compostos por estudantes do ensino médio e universitários, que frequentam aulas pela manhã e patrulham à tarde.
Esses jovens são pressionados a realizar detenções para cumprir cotas mínimas. “Cada pessoa serve no esquadrão a cada cinco ou seis dias, mas se não prender ninguém durante o turno, deve voltar à patrulha no dia seguinte”, disse uma fonte. O sistema gera disputas internas, com membros competindo para atingir as metas diárias.
O episódio que mais inflamou a opinião pública ocorreu em 22 de março, quando um morador identificado como Kim foi detido com seu filho de sete anos. O menino vestia uma roupa com palavras em inglês e ambos foram mantidos sob custódia por três horas antes de serem levados ao escritório da Socialist Patriotic Youth League (Juventude Socialista Patriótica), onde passaram mais duas horas sob interrogatório.
A reação dos moradores de Chongjin foi de revolta. “Se querem proibir esse tipo de roupa, então parem de vendê-las nos mercados”, disse um residente. Outros classificaram a repressão como absurda, principalmente por envolver crianças.
Por que o controle sobre vestimentas?
A vigilância sobre vestimentas é parte de um controle ideológico mais amplo. O regime considera roupas ocidentais, como jeans e peças com inscrições em inglês, sinais de “delinquência capitalista”.
Pessoas flagradas sem os distintivos com os retratos de Kim Il Sung e Kim Jong-il também são alvo das patrulhas. As punições variam desde a obrigação de escrever cartas de autocrítica até a exposição pública e, em casos graves, trabalhos forçados.
“É ridículo transformar roupas em uma questão ideológica. As repressões não são constantes, mas cada vez mais coisas estão se tornando um problema político”, afirmou uma fonte.