Assista o vídeo: Estado Islâmico Reivindica Ataque em Chiúre, Cabo Delgado

Militantes associados ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicaram um ataque armado ocorrido na quinta-feira, 27 de julho, no posto policial de Chiúre Velho, distrito de Chiúre, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique. A ação, amplamente divulgada através de um vídeo de propaganda, faz parte da nova escalada de violência na região.
De acordo com imagens partilhadas pelos insurgentes, os homens armados invadiram a esquadra local, dispararam com metralhadoras e incendiaram uma viatura policial. No vídeo, alegam ainda ter libertado detidos muçulmanos e saqueado equipamento das forças de segurança. Apesar das declarações dos extremistas, as autoridades moçambicanas não confirmaram vítimas mortais até ao momento.
O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, confirmou o incidente durante uma intervenção pública, salientando que a situação já se encontra “em vias de estabilização”. “A população foi forçada a fugir, mas as Forças de Defesa e Segurança estão no terreno e restabeleceram alguma ordem”, afirmou.
O administrador distrital de Chiúre, Oliveira Amimo, indicou que, além da esquadra, várias habitações foram incendiadas durante a ofensiva. “Os insurgentes não chegaram à vila-sede do distrito. Foram travados antes de avançarem”, garantiu.
Este novo ataque insere-se num contexto de recrudescimento da violência jihadista em Cabo Delgado. Em fevereiro de 2024, o mesmo grupo extremista reivindicou 27 ataques em aldeias classificadas como “cristãs” no distrito de Chiúre, tendo causado a morte de cerca de 70 pessoas e a destruição de centenas de edifícios públicos e privados, incluindo igrejas, escolas e centros de saúde.
Organizações humanitárias alertam para a deterioração da situação humanitária na região. Só no primeiro trimestre de 2024, mais de 90 mil pessoas foram deslocadas no distrito de Chiúre, muitas delas forçadas a refugiar-se noutras localidades da província ou na vizinha Nampula.
O governo moçambicano reforçou o apelo à vigilância comunitária e à colaboração com as autoridades para conter o avanço dos grupos armados, que continuam a semear o terror nas comunidades do norte do país.



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