
Abidjan — A Costa do Marfim vive dias de agitação política e protestos nas principais cidades, após o governo e a justiça eleitoral impedirem várias figuras da oposição de concorrer às eleições presidenciais previstas para 25 de outubro de 2025.
Entre os excluídos estão o ex-presidente Laurent Gbagbo e o líder do Partido Democrático da Costa do Marfim (PDCI), Tidjane Thiam, ambos considerados os principais adversários do atual chefe de Estado, Alassane Ouattara.
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As decisões, tomadas em setembro, basearam-se em argumentos jurídicos: Gbagbo foi barrado por condenações judiciais ligadas à crise pós-eleitoral de 2011, enquanto Thiam foi retirado da lista eleitoral por supostamente ter mantido cidadania francesa durante o recenseamento. Outros nomes importantes, como Charles Blé Goudé e Guillaume Soro, também ficaram fora da corrida presidencial.
As exclusões provocaram ondas de protestos em Abidjan, Bouaké e outras cidades do país. Centenas de cidadãos saíram às ruas a denunciar o que consideram uma “manobra política” para favorecer a reeleição de Ouattara, que concorre novamente após alterações constitucionais que, segundo críticos, lhe permitem contornar o limite de mandatos.
Organizações da sociedade civil e observadores internacionais expressaram preocupação com o que classificam como um retrocesso democrático. Segundo a Aliança para a Transparência Eleitoral, “a eliminação sistemática de opositores fragiliza a legitimidade do processo e ameaça a estabilidade política do país”.
O governo, por seu lado, rejeita as acusações e defende que as decisões foram tomadas “de acordo com a lei e com total independência judicial”.
Com o aumento das tensões e a aproximação do pleito, cresce o receio de confrontos e instabilidade política semelhante à de 2010, quando a Costa do Marfim mergulhou numa crise pós-eleitoral que deixou mais de três mil mortos.
