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União Europeia denuncia eleições na Tanzânia como “nem livres nem justas”

Em comunicado conjunto, eurodeputados acusam o processo eleitoral de ser marcado por repressão, intimidação e fraude, e exigem a libertação do líder da oposição Tundu Lissu.

BRUXELAS – As eleições gerais realizadas na Tanzânia no dia 29 de outubro foram severamente criticadas pelo Parlamento Europeu, que as classificou como “nem livres nem justas”. Num comunicado conjunto divulgado hoje, os principais eurodeputados das comissões de relações externas e de direitos humanos apontaram para um clima de “repressão, intimidação e medo” durante o ato eleitoral, instando os parceiros democráticos a defenderem os direitos humanos e a democracia no país africano.

Os subscritores do documento afirmam que a fraude eleitoral “não começou na urna”, mas tem vindo a desenvolver-se “durante meses”, num processo de desmantelamento sistemático do espaço cívico e político. Entre as principais queixas estão a exclusão de partidos da oposição, o assédio e a prisão de seus líderes, e a censura a meios de comunicação independentes.

Um dos pontos mais críticos do comunicado é a menção ao caso de Tundu Lissu, principal líder da oposição, atualmente a ser julgado por “alta traição”. Os eurodeputados defendem que o seu único crime foi “exigir eleições livres e justas” e exigem a sua “libertação imediata e incondicional”. O texto refere que a sua situação é “exemplar do colapso dos valores democráticos e da independência judicial na Tanzânia”.

Além disso, são referidos relatos de “irregularidades, obstrução de observadores e violência direcionada contra vozes críticas”, fatores que, segundo os eurodeputados, corroeram a integridade de todo o processo.

O comunicado é subscrito por David McAllister (Alemanha), presidente da Comissão dos Assuntos Externos, Mounir Satouri (França), presidente da Subcomissão de Direitos Humanos, e Merja Kyllönen (Finlândia), presidente da Delegação para as Relações com o Parlamento Pan-Africano.

A mensagem final é clara: “O silêncio não é neutralidade – é cumplicidade”. Um apelo direto para que a comunidade internacional não se mantenha indiferente perante o que consideram ser uma deterioração grave do Estado de direito na Tanzânia.

Adaptado de comunicado do Parlamento Europeia | Imagem: Arquivo

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