
O terrorismo que há oito anos assola o norte de Moçambique e que começou na província de Cabo Delgado, em 2017, está a dar sinais claros de expansão para regiões vizinhas. Nos últimos dias, o distrito de Memba, na província de Nampula, tornou-se o novo foco de tensão, após ataques atribuídos a grupos insurgentes terem forçado dezenas de famílias a abandonar as suas comunidades.
Um vídeo amplamente partilhado nas redes sociais mostra moradores de Memba — incluindo mulheres, crianças e idosos — a fugir com os poucos bens que conseguem transportar. As incursões mais recentes provocaram pânico generalizado, obrigando a população a procurar refúgio em locais considerados mais seguros.
A actividade insurgente tem vindo a expandir-se para além de Cabo Delgado, onde os primeiros ataques foram registados em Mocímboa da Praia. Com o aumento da pressão militar naquela província, os grupos passaram a deslocar-se para outras zonas, incluindo Nampula, com incidências recentes em Memba, Eráti e Nacala-a-Velha, e também Niassa, que entre 2021 e 2022 registou movimentos significativos de terroristas nos distritos de Mavago e Mecula.
As autoridades moçambicanas ainda não divulgaram um balanço oficial sobre vítimas ou danos em Memba, mas asseguram que as Forças de Defesa e Segurança estão a reforçar o patrulhamento e a intensificar operações para travar o avanço dos insurgentes e restaurar a segurança.
Entretanto, várias famílias continuam deslocadas e dependentes de apoio humanitário, enquanto cresce o receio de que a violência possa alastrar para outros distritos da província.
