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Eles vinham por motivos culturais e foram impedido a entrar por motivos políticos: Gilmário e seus colegas impedido a entrar em Moçambique

Maputo, 20 de Julho de 2025 — Três humoristas de renome internacional foram impedidos de entrar em Moçambique neste sábado, 20 de julho, quando desembarcavam no Aeroporto Internacional de Maputo para uma atuação programada para o mesmo dia. O angolano Gilmário Vemba, o português Hugo Sousa e o brasileiro Murilo Couto foram retidos pelas autoridades de migração moçambicanas, que lhes negaram a entrada no país sem fornecer uma explicação oficial.

O trio viajava para se apresentar no espetáculo “Tons de Comédia”, agendado para as 17 horas no Centro Cultural China-Moçambique. O evento contava com todos os bilhetes vendidos e gerava grande expectativa entre os fãs moçambicanos. No entanto, após o desembarque por volta das 14 horas, os três humoristas foram barrados pelas autoridades migratórias e mantidos sob vigilância até serem obrigados a regressar nos voos subsequentes.

Apesar de todos os documentos em ordem, incluindo vistos e contratos, nenhuma justificação formal foi apresentada até ao momento por parte das autoridades moçambicanas. O silêncio oficial gerou indignação nas redes sociais, com muitos seguidores a questionar se a decisão estaria relacionada a motivações políticas.

O nome de Gilmário Vemba ganhou especial destaque por, segundo fontes próximas, estar associado a círculos de oposição política em Moçambique, nomeadamente ao lado de Venâncio Mondlane, líder do movimento Anamalala e figura central nas contestações pós-eleitorais. O próprio assessor de Mondlane, Dinis Tivane, sugeriu nas redes sociais que a medida foi de natureza política: “O sistema teme a liberdade de expressão. Nem rir já é permitido neste país.”

Nas redes sociais, Vemba partilhou uma mensagem de pesar pelo sucedido e lamentou profundamente não poder estar presente para atuar perante o público moçambicano. “Viemos com alegria para dar alegria, e saímos com tristeza por não nos deixarem partilhar aquilo que mais amamos fazer: fazer rir”, escreveu.

O espetáculo foi oficialmente cancelado, e a organização garantiu o reembolso integral dos bilhetes adquiridos. A produtora não descartou a possibilidade de reagendar a apresentação para uma data futura, caso o impasse seja resolvido.

Este episódio levanta sérias questões sobre a liberdade de circulação e expressão em Moçambique, especialmente num momento em que o país continua a lidar com tensões políticas e acusações de repressão a vozes críticas.

Enquanto isso, os fãs ficam sem o espetáculo e sem respostas. O Ministério do Interior e o Serviço Nacional de Migração (SENAMI) permanecem em silêncio.

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