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EUA reforçam investimento na grafite moçambicana para acelerar a transição energética

Os Estados Unidos estão a intensificar a aposta na grafite moçambicana como parte da estratégia global para garantir minerais críticos essenciais à transição energética. A empresa australiana Syrah Resources, que opera a mina de Balama, em Cabo Delgado, recebeu um financiamento total de 150 milhões de dólares da International Development Finance Corporation (DFC), a agência financeira de desenvolvimento do Governo norte-americano.

A primeira tranche, no valor de 53 milhões de dólares, já foi desembolsada e destina-se à expansão e estabilidade das operações da Twigg Mining & Exploration, subsidiária da Syrah em Moçambique. Recentemente, a DFC aprovou ainda um reforço de 6,5 milhões, a ser aplicado na manutenção da produção, num momento em que a procura mundial por grafite atinge níveis históricos.

Segundo a DFC, este é o primeiro financiamento do género para uma operação mineira de grafite, reflexo da importância estratégica do mineral na produção de baterias de iões de lítio — fundamentais para veículos elétricos, armazenamento de energia e outras tecnologias verdes. Washington procura diversificar fornecedores para reduzir a dependência da China, que domina o mercado global.

A grafite extraída em Balama será destinada, em grande parte, à fábrica de processamento da Syrah em Vidalia, nos Estados Unidos, e integra contratos de fornecimento com fabricantes de automóveis elétricos, incluindo a norte-americana Lucid Motors.

Em Moçambique, o investimento é visto como uma oportunidade para fortalecer a economia local, gerar emprego e consolidar a posição do país como fornecedor chave de minerais críticos. No entanto, a mina de Balama tem enfrentado desafios, incluindo interrupções temporárias devido a tensões políticas e questões de segurança na região.

Apesar dos riscos, analistas consideram que o envolvimento norte-americano poderá estimular maior estabilidade e atrair novos investimentos internacionais para Cabo Delgado, sobretudo num contexto em que o mundo acelera a transição energética e precisa de fontes seguras e diversificadas de matérias-primas.

A Syrah Resources prevê aumentar a sua capacidade de produção nos próximos anos, enquanto Moçambique reforça o seu papel no mapa global das energias limpas.

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