A Ucrânia é agora a guerra de Donald Trump

Washington, 6 de Agosto de 2025 — Com o seu autoproclamado prazo para um acordo de paz a chegar ao fim, Donald Trump prepara-se para tomar uma das decisões mais significativas desde o início da invasão russa à Ucrânia. Embora Vladimir Putin tenha iniciado a guerra e Joe Biden não tenha conseguido travá-la, é Trump quem agora vê a responsabilidade recair sobre os seus ombros.

Esta semana marca uma viragem simbólica e prática: a guerra da Ucrânia, que já dura mais de três anos, passa a ser, para muitos analistas internacionais, a “guerra de Trump”. O Presidente norte-americano regressou ao cargo com a promessa de encerrar o conflito num prazo curto, mas os obstáculos à paz continuam a acumular-se.

Como parte desse esforço diplomático, o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, já se encontra em Moscovo, tendo aterrado no início desta semana para manter reuniões com altos responsáveis russos, incluindo o próprio presidente Vladimir Putin. A sua visita, confirmada por fontes da Casa Branca e pela agência estatal russa TASS, visa pressionar por um cessar-fogo antes do prazo limite de sexta-feira, 8 de agosto, estabelecido por Trump.

Witkoff, um empresário e aliado próximo do presidente norte-americano, foi incumbido de apresentar uma proposta concreta de paz que evite o alargamento das sanções contra Moscovo. No entanto, o clima permanece tenso e os sinais de cedência por parte do Kremlin ainda são escassos.

Caso não haja avanços concretos nas negociações, Trump deverá anunciar sanções secundárias severas, como tarifas punitivas contra países que continuem a importar petróleo e gás russos. Tais medidas teriam impacto direto sobre aliados europeus e asiáticos, podendo desencadear uma nova onda de instabilidade económica global.

“O dilema de Trump é simples mas brutal”, afirmou uma fonte próxima da Casa Branca. “Ou causa dor real à Rússia e aos seus parceiros comerciais, ou arrisca-se a ser visto como mais um presidente que promete paz, mas não entrega resultados.”

Trump, conhecido pelo seu estilo imprevisível e pela aversão a compromissos internacionais prolongados, tem sinalizado que está disposto a agir de forma unilateral se necessário. O mundo aguarda agora para ver se a sua promessa de acabar com a guerra em tempo recorde será cumprida — ou se acabará por se tornar mais um episódio de desgaste numa guerra que parece longe do fim.

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