
Moçambique e os restantes países do continente africano precisam fortalecer-se e adotar maior resiliência económica, transformando o modelo das suas economias face ao impacto da guerra comercial desencadeada com maior intensidade pelos Estados Unidos da América (EUA).
A posição foi defendida ontem pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, durante uma mesa-redonda com antigos ministros do setor, à margem da 60.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM).
Segundo o governante, é inconcebível que as matérias-primas continuem a ser exportadas em bruto para depois serem transformadas no exterior, uma vez que esse paradigma representa perdas significativas para os países de origem.
“Temos que ver como não podemos continuar a perder fortunas. Afinal, de contas, grande parte dos recursos que sustentam as economias europeias vêm do continente africano, mas dois terços saem dos nossos portos sem qualquer mais-valia local”, sublinhou Muhate.
O ministro defendeu ainda que Moçambique deve apostar na industrialização e na transformação estrutural da sua economia, como forma de reduzir a dependência do setor primário.
Referiu também que todas as projeções e estratégias comerciais devem estar ancoradas numa abordagem política sólida e destacou a necessidade de o país ter uma equipa de comércio externo robusta, capaz de projetar ações de desenvolvimento nos protocolos regionais, nomeadamente a zona de comércio livre continental e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
O encontro contou igualmente com a participação do antigo ministro da Indústria e Comércio, António Inroga, que apontou a importância de traçar novas estratégias para dinamizar o comércio interno.
