Julião Cumbane questiona gastos públicos na Conferência sobre Corrupção

O académico e comentador moçambicano Julião João Cumbane criticou duramente a Conferência Nacional sobre Combate à Corrupção, que decorre esta semana em Maputo, considerando que o evento representa um uso ineficiente dos escassos recursos do Estado.
Num texto publicado nas redes sociais, Cumbane questionou a necessidade de gastar dinheiro público para “avisar os corruptos de que serão combatidos”, colocando em causa o impacto real de iniciativas do género.
“Faz sentido gastar os escassos recursos do Estado moçambicano para avisar os corruptos de que serão combatidos? Alguém imagina quanto custou produzir estes cartazes? E o aluguer do espaço da conferência? E os ‘cafés’ e almoços? Certamente que alguém nhongou. Por que razão insistimos em brincar tão mal com assuntos tão sérios?”, escreveu.
A publicação provocou forte debate nas redes sociais, com várias vozes a concordarem com o académico, classificando o evento como uma encenação política num país onde a corrupção continua a minar o funcionamento das instituições. Outros, porém, defenderam que a conferência é um passo positivo para reforçar o compromisso político e institucional no combate à corrupção, sobretudo com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, na sessão de abertura.
Promovida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), a conferência, que decorre de 13 a 14 de outubro no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, tem como objetivo identificar desafios e propor soluções para fortalecer a integridade pública em Moçambique.
Apesar da intenção declarada de promover a transparência e a responsabilização, as críticas de Cumbane reacenderam o debate sobre a eficácia das políticas anticorrupção e o custo real das iniciativas governamentais num país onde muitos cidadãos continuam a enfrentar dificuldades económicas. Continue lendo


