
O ex-presidente da Rússia e atual vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Dmitri Medvedev, lançou esta terça-feira uma ameaça direta à Ucrânia, prometendo uma resposta “devastadora” aos recentes ataques ucranianos que atingiram quatro bases aéreas em território russo.
Em declarações divulgadas nas suas redes sociais e em meios estatais russos, Medvedev afirmou que “a Ucrânia está a brincar com fogo” e advertiu que “a resposta da Rússia não será apenas assimétrica, mas também devastadora”.
> “Sabemos exatamente onde as decisões são tomadas. Tudo o que pode ser explodido na Ucrânia será explodido”, declarou, num tom que abandona por completo a linguagem diplomática habitual.
As ameaças surgem na sequência de um alegado ataque ucraniano no último domingo, que, segundo fontes russas, resultou na destruição de dezenas de aeronaves em quatro bases militares russas. Kiev não comentou oficialmente os ataques, mas fontes ocidentais já haviam alertado para o aumento da capacidade da Ucrânia em atingir alvos dentro da Rússia com drones e mísseis de longo alcance.
Medvedev, que foi presidente da Rússia entre 2008 e 2012, tem sido nos últimos anos uma das vozes mais duras do Kremlin, com declarações regulares a defender o uso de força total contra a Ucrânia e contra o que considera ser a “ingerência” do Ocidente.
> “A era da linguagem diplomática acabou. Agora só resta aço, fogo e destruição total. Nem a NATO nem o próprio diabo poderão salvá-los”, concluiu.
A retórica agressiva de Medvedev levanta preocupações sobre uma possível escalada no conflito, num momento em que aumentam os receios de um confronto mais direto entre a Rússia e a NATO. O porta-voz da Aliança Atlântica ainda não reagiu oficialmente às declarações.
Analistas alertam que declarações como esta, embora possam servir a uma estratégia de propaganda interna e dissuasão externa, contribuem para agravar o clima de instabilidade e reduzir as possibilidades de diálogo num conflito que já provocou milhares de mortes e milhões de deslocados.