
Professores e profissionais de saúde suspendem e retomam greves num ciclo de promessas não cumpridas pelo Estado
Maputo, 10 de Junho de 2025 — Em Moçambique, tornou-se quase um ritual: os professores e profissionais de saúde entram em greve por causa do não pagamento de horas extraordinárias; o Governo promete regularizar os pagamentos; os trabalhadores, em sinal de boa fé, suspendem a greve — mas a promessa volta a não ser cumprida. Passados alguns meses ou semanas, o ciclo recomeça.
Esta semana, o Governo moçambicano garantiu mais uma vez que irá pagar, de forma gradual, as horas extraordinárias em atraso aos profissionais dos sectores da Educação e da Saúde. A promessa, feita por representantes do Ministério da Economia e Finanças, não é novidade. É apenas a mais recente de uma longa série de compromissos que nunca se materializaram plenamente.
“É sempre a mesma coisa. Fazemos greve, eles prometem pagar, paramos a greve e depois nada acontece. Depois voltamos à greve. Isto já não é diálogo, é engano contínuo”, afirmou uma enfermeira do Hospital Central de Nampula.
Nos últimos anos, o não pagamento das horas extra tornou-se uma das principais queixas dos trabalhadores do sector público. Os sindicatos denunciam atrasos que, em alguns casos, já duram mais de dois anos. Em várias províncias, os protestos afectam o normal funcionamento das escolas e unidades sanitárias, com impacto directo na vida de milhares de cidadãos.
Apesar disso, o Governo volta a apelar à paciência. “Reconhecemos a dívida e reiteramos o compromisso de pagamento faseado. Pedimos apenas mais compreensão”, declarou uma fonte oficial do Ministério da Saúde, numa conferência de imprensa realizada em Maputo.
Mas os trabalhadores dizem que a paciência está esgotada. “Enquanto eles pedem compreensão, nós sobrevivemos com salários cortados, sem o mínimo reconhecimento pelo esforço extra que fazemos todos os dias”, declarou um professor de Biologia da cidade de Chimoio.
Os sindicatos alertam que novas paralisações de âmbito nacional poderão ser convocadas nas próximas semanas, caso o Executivo não apresente provas concretas de que começou, de facto, a pagar os montantes em dívida.