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China cria reator solar que transforma ar, água e sol em combustível de aviação

Um grupo de cientistas chineses desenvolveu um reator movido a energia solar capaz de produzir combustível de aviação sintético a partir de três elementos simples: luz solar, dióxido de carbono do ar e vapor de água. A tecnologia inovadora foi criada por investigadores do Instituto de Física Química de Dalian, ligado à Academia Chinesa de Ciências, e já está em testes numa instalação experimental no oeste da China.

O sistema imita o processo de fotossíntese, utilizando um reator termoquímico de alta temperatura com óxido de cério (CeO₂), um material que ajuda a separar oxigénio do CO₂ e da água. Esse processo gera uma mistura de monóxido de carbono e hidrogénio — conhecida como gás de síntese ou syngas — que é posteriormente transformada em combustível líquido por meio da conhecida técnica Fischer-Tropsch.

Tudo acontece num ciclo fechado e totalmente alimentado pela luz solar, sem necessidade de combustíveis fósseis ou de energia elétrica externa. O protótipo atual consegue produzir aproximadamente um litro de querosene sintético por dia. Embora ainda esteja em fase piloto, o sucesso dos primeiros testes abre caminho para uma possível produção em escala industrial.

A equipa chinesa já planeia desenvolver módulos capazes de gerar até mil litros de combustível por dia, com possíveis aplicações em aeroportos, zonas remotas ou regiões isoladas com elevado índice de radiação solar.

Esta tecnologia representa um avanço promissor na luta por uma aviação mais sustentável. Ao contrário dos combustíveis convencionais, o querosene sintético gerado pelo reator chinês pode oferecer uma alternativa com zero emissões líquidas de carbono, reduzindo a dependência do petróleo e o impacto ambiental do transporte aéreo.

Embora ainda longe da produção comercial em larga escala, a iniciativa posiciona a China entre os países que lideram a corrida por combustíveis sintéticos sustentáveis, ao lado de projetos semelhantes em desenvolvimento na Europa e nos Estados Unidos.

“Transformar ar, água e sol em energia para aviões já não é ficção científica. A tecnologia está aqui — e está a funcionar”, afirmou um dos investigadores envolvidos no projeto.

O reator solar chinês poderá ser uma das chaves para a transição energética na aviação global nas próximas décadas.

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