
Maputo, Julho de 2025 — O recente vazamento de um relatório técnico sobre o custo real de tratores adaptados para transporte de passageiros nas zonas rurais está a gerar uma onda de indignação pública — não só pela alegada sobrefaturação dos equipamentos, mas também pela escolha arcaica da solução em pleno século XXI.
Segundo o documento, os custos reais por trator, já com todas as adaptações, variam entre 1,8 e 2,9 milhões de meticais, muito abaixo dos 6 milhões de meticais oficialmente divulgados. A diferença levanta suspeitas de má gestão de fundos públicos, sobrefaturação e possíveis esquemas de corrupção. A sociedade civil já pede auditorias independentes e responsabilização dos decisores.
Mas a questão vai além dos números. Em pleno século XXI, o Governo insiste em transportar pessoas em tratores agrícolas com atrelados metálicos, num país onde as estradas estão degradadas, os transportes públicos são escassos e as distâncias rurais são longas e perigosas.
“Estamos a viver no passado enquanto o mundo avança. O Governo deveria estar a reabilitar a Estrada Nacional Número 1 (EN1) — que liga o país de norte a sul — e a investir em tecnologia moderna, como comboios rápidos, autocarros interprovinciais e mobilidade urbana inteligente. Em vez disso, compram tratores que nem chegam aos 50 km/h, para transportar pessoas como se fossem carga”, denuncia um analista de transportes.

O relatório técnico destaca ainda que os tratores adaptados, mesmo com cintos de segurança e cobertura metálica, não oferecem condições mínimas de conforto, dignidade ou eficiência. “É uma solução improvisada, que resolve pouco e compromete muito”, acrescenta o especialista.
A comparação internacional também pesa. Países como a África do Sul, Quénia e Etiópia já avançaram com infraestruturas ferroviárias modernas, enquanto Moçambique permanece preso a políticas de transporte ultrapassadas.
O povo moçambicano começa a reagir com firmeza: “Basta de improvisos! Precisamos de soluções estruturais, planeamento moderno e transparência na gestão dos recursos públicos”, lê-se em várias mensagens partilhadas nas redes sociais.
A exigência é clara: transporte digno, seguro e moderno para todos os moçambicanos — e não tratores disfarçados de autocarros.
