
O Sudão do Sul enfrenta a mais grave crise política desde o fim da guerra civil em 2018, com fortes indícios de colapso do frágil acordo de paz e receios crescentes de formação de governos rivais.
A tensão agravou-se após a detenção do Vice‑Presidente e líder da oposição, Riek Machar, por ordens do Presidente Salva Kiir. A oposição classificou a detenção como uma violação directa do acordo de partilha de poder, alimentando suspeitas de que o governo está a preparar-se para consolidar o poder de forma unilateral.
Com protestos armados no norte do país, combates esporádicos em regiões como Upper Nile e uma crescente mobilização de milícias locais, organizações internacionais alertam para o risco iminente de uma nova guerra civil. A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) já alertou para um “retrocesso alarmante” no processo de paz.
Perante o agravamento da situação, países como a Alemanha, Noruega, Estados Unidos e Reino Unido decidiram encerrar temporariamente as suas missões diplomáticas em Juba, a capital, por questões de segurança.
“Estamos a assistir a um colapso institucional gradual que ameaça destruir os avanços alcançados nos últimos anos”, afirmou um diplomata da União Africana sob anonimato.
Apesar de ainda não existirem dois governos formalmente constituídos, vozes da oposição ameaçam formar uma administração paralela caso Riek Machar não seja libertado e as condições do acordo de paz não sejam restauradas. Tal cenário colocaria o país novamente num ciclo de violência e instabilidade prolongada.
O Sudão do Sul, que conquistou a independência em 2011, permanece como um dos países mais pobres do mundo, com milhões de cidadãos a depender de ajuda humanitária. A instabilidade política apenas agrava a crise alimentar, o deslocamento interno e a insegurança generalizada.
