
O governo da Austrália anunciou esta terça-feira, 26 de agosto, a expulsão do embaixador iraniano, Ahmad Sadeghi, e de três outros diplomatas, após concluir que Teerão esteve por detrás de dois ataques antissemitas ocorridos no país em 2023.
De acordo com o primeiro-ministro Anthony Albanese, informações reunidas pela agência de segurança interna (ASIO) apontam que a Força Qods, unidade da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), esteve envolvida na coordenação dos ataques, recorrendo a intermediários para encobrir a sua ligação direta.
Os incidentes em causa foram o ataque com um coquetel molotov ao restaurante Lewis Continental Kitchen, em Sydney, em outubro de 2023, e o atentado à sinagoga Adass Israel, em Melbourne, em dezembro do mesmo ano. Nenhum deles provocou vítimas mortais, mas ambos foram considerados tentativas deliberadas de incitar ódio contra a comunidade judaica australiana.
“Estes são atos extraordinários e perigosos de agressão de uma nação estrangeira em solo australiano, com o objetivo de dividir a nossa sociedade e semear o ódio”, declarou Albanese.
Com a decisão, os diplomatas iranianos têm sete dias para abandonar o território australiano. Em paralelo, Camberra suspendeu as operações da sua embaixada em Teerão, garantindo que todos os funcionários estão em segurança num país vizinho.
O governo australiano anunciou ainda a intenção de classificar a Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista, reforçando a pressão internacional sobre o regime iraniano.
As autoridades de segurança sublinham que nem todos os incidentes de antissemitismo registados na Austrália estão ligados ao Irão, mas frisam que os dois casos em questão configuram uma interferência inaceitável nos assuntos internos do país.
