
A medicina mundial registou um avanço histórico com a realização do primeiro transplante de pulmão de porco geneticamente modificado para um ser humano. O procedimento, conduzido por investigadores da Universidade Médica de Guangzhou, na China, ocorreu em maio de 2024 e foi divulgado esta segunda-feira pela comunidade científica internacional.
O receptor foi um paciente em morte cerebral, escolhido para permitir a avaliação do comportamento do órgão sem colocar em risco a vida de um doente ativo em lista de espera. O pulmão transplantado funcionou durante nove dias, garantindo oxigenação do sangue e apresentando sinais de viabilidade inicial.
Contudo, após as primeiras 24 horas, os médicos identificaram edema pulmonar e sinais de rejeição imunológica. O processo agravou-se nos dias seguintes, levando ao término do experimento no nono dia, por decisão da equipa médica e da família do paciente.
Apesar do desfecho limitado, os cientistas consideram o resultado um marco sem precedentes na investigação de xenotransplantes — o uso de órgãos animais em humanos. O estudo demonstrou que é possível adaptar geneticamente pulmões de porco para resistirem, ainda que temporariamente, ao sistema imunitário humano.
Especialistas acreditam que este passo poderá, no futuro, contribuir para aliviar a grave escassez de órgãos disponíveis para transplante em todo o mundo, especialmente no caso dos pulmões, cuja procura é muito superior à oferta.
O ensaio clínico integra uma série de experiências que vêm sendo realizadas com corações, rins e agora pulmões de porco geneticamente modificados, reforçando a esperança de que, num futuro próximo, esta técnica possa salvar milhares de vidas.