
O Tribunal Superior Nacional do Peru condenou o ex-ministro do Interior Daniel Urresti a 12 anos de prisão pelo assassinato do jornalista Hugo Bustíos, ocorrido em 1988 na região de Ayacucho, durante o período mais violento do conflito interno contra o grupo terrorista Sendero Luminoso.
Segundo a sentença, Urresti foi considerado coautor da emboscada que terminou na morte brutal do repórter, então correspondente da revista Caretas. Bustíos foi atacado a tiros e, posteriormente, explodido com dinamite por uma patrulha militar disfarçada de civil.
O caso arrastou-se por mais de três décadas na justiça peruana. Em 2018, Urresti chegou a ser absolvido, mas a decisão foi anulada pela Suprema Corte, que determinou um novo julgamento. A condenação agora representa uma viragem no processo, marcado por denúncias de intimidações e pressões políticas.
Familiares do jornalista celebraram a decisão. A filha de Bustíos afirmou que, passados 35 anos, “finalmente a justiça foi feita”. Organizações como a Federação Internacional de Jornalistas e a Associação Nacional de Jornalistas do Peru também destacaram a importância da sentença como passo significativo no combate à impunidade de crimes contra profissionais da comunicação.
Urresti, general reformado e figura de destaque na política peruana — tendo exercido cargos ministeriais e sido candidato à presidência e à prefeitura de Lima — negou sempre o seu envolvimento no crime e a sua defesa anunciou que irá recorrer da condenação.
O caso Bustíos permanece como um dos símbolos da violência contra jornalistas na América Latina e reforça a necessidade de garantir a memória e a justiça para as vítimas do conflito armado peruano.
