
O Primeiro-Ministro do Níger, Ali Mahaman Lamine Zeine, lançou este sábado acusações diretas contra a França durante o seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. O chefe do Executivo nigerino afirmou que Paris “financia, treina e arma os terroristas” responsáveis por ataques que devastam aldeias e provocam centenas de mortes no Sahel.
“Esses grupos não nasceram em África; foram patrocinados e importados para manter a instabilidade e justificar a presença militar estrangeira”, declarou Zeine, sublinhando que a violência jihadista na região tem sido alimentada por “interesses externos” e não apenas por dinâmicas locais.
O Primeiro-Ministro evocou ainda o passado colonial, acusando a França de massacres, pilhagens e escravidão desde 1899. Segundo ele, esse espírito colonial mantém-se “com outros nomes e outros métodos, mas com o mesmo objetivo: controlar e explorar”.
Zeine acusou igualmente a imprensa internacional de “distorcer factos” e de transformar vítimas em culpados, numa tentativa de enfraquecer a posição do Níger e dos seus aliados.
No plano internacional, o governante estendeu as críticas ao conflito em Gaza, que classificou de genocídio, e mencionou casos de agressões contra o Irão, o Qatar, a República Democrática do Congo e o Sudão, acusando a comunidade internacional de adotar padrões duplos.
O líder nigerino reafirmou que o Níger, em conjunto com o Mali e o Burkina Faso — países que formam a Confederação dos Estados do Sahel —, não aceitará ser “marioneta” de potências externas. “Nós escolhemos resistir, custe o que custar”, concluiu.
As declarações surgem num contexto de forte tensão diplomática entre Niamey e Paris, após a expulsão das tropas francesas e a reorientação estratégica da região para novas parcerias militares e políticas.
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