FDC assegura logística e mobilização comunitária no arranque da quimioprevenção sazonal da malária em Cabo Delgado

Arrancou na quinta-feira, 23 de Janeiro, a Campanha de Quimioprevenção Sazonal da Malária (QSM), uma intervenção estratégica destinada a proteger crianças dos 3 aos 59 meses durante o período de maior transmissão da doença. Em Cabo Delgado, a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) reforça o apoio ao sector da Saúde, assegurando a componente logística essencial para a implementação da campanha em todos os distritos abrangidos da província.

A QSM, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é administrada porta a porta e tem como objectivo prevenir casos graves e reduzir a mortalidade infantil em zonas de elevada incidência de malária. Na província de Cabo Delgado, onde a prevalência da doença entre crianças menores de cinco anos permanece preocupante, a campanha surge como uma resposta crucial para diminuir o número de infecções e aliviar a pressão sobre as famílias e o sistema nacional de saúde.

As equipas de saúde, devidamente capacitadas de acordo com as orientações nacionais, percorrem comunidades urbanas e rurais para garantir que cada criança elegível receba os quatro ciclos previstos do tratamento. A FDC apoia este processo através da gestão de stocks, transporte seguro de medicamentos, fornecimento de materiais, formação das equipas e acções de mobilização comunitária.

No distrito de Metuge, o director de Programas da FDC, Adelino Xerinda, acompanhou no terreno a administração dos medicamentos às crianças menores de cinco anos. “Cada comprimido entregue representa uma vida protegida. A logística também salva vidas, e é por isso que a FDC trabalha lado a lado com o sector da Saúde para garantir que nenhuma criança fique para trás”, afirmou.

A mobilização comunitária tem sido um dos pilares da campanha. Activistas e líderes locais desempenham um papel fundamental na sensibilização das famílias sobre a importância de cumprir correctamente os três dias de toma do medicamento em cada ciclo, condição essencial para a eficácia da quimioprevenção.

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Para muitas famílias, a campanha é sinónimo de esperança e alívio. Dona Alima, residente em Metuge e mãe de três crianças, contou que o seu filho já esteve internado duas vezes devido à malária. “Ver a equipa chegar à nossa casa dá-nos segurança. Sentimos que não estamos sozinhos”, disse.

Também os distribuidores comunitários reconhecem a responsabilidade da missão. João Makuve, voluntário envolvido na campanha, explicou que o trabalho exige esforço físico e dedicação. “Entramos casa a casa e caminhamos longas distâncias, mas saber que cada criança protegida pode evitar uma morte faz tudo valer a pena”, afirmou.

A campanha de Quimioprevenção Sazonal da Malária decorre até 26 de Janeiro, podendo ser estendida em zonas de difícil acesso, conforme avaliação do sector da Saúde. Para a FDC, este esforço conjunto reforça o compromisso de contribuir para a redução da malária e para a protecção das crianças mais vulneráveis em Cabo Delgado.

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