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Yale revela rede de “reeducação” e militarização de crianças ucranianas pela Rússia

Um relatório do Laboratório de Investigação Humanitária da Escola de Saúde Pública de Yale revelou um sistema sem precedentes de deportação, reeducação e militarização de crianças ucranianas pelas autoridades russas. O estudo identifica mais de 210 locais – entre campos de verão, escolas militares, sanatórios, instalações religiosas e bases militares – usados desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Segundo o relatório, pelo menos 130 destes locais destinam-se à reeducação cultural e nacionalista pró-Rússia, enquanto 39 estão ligados ao treino militar, incluindo aulas de operação de drones, lançamento de granadas e primeiros socorros táticos. Algumas crianças, com idades a partir dos 8 anos, teriam sido forçadas a trabalhar na montagem de drones usados contra a Ucrânia.

Estima-se que cerca de 20.000 crianças ucranianas tenham sido deportadas para a Rússia, muitas das quais apresentadas como órfãs russas após alteração de documentos e indução a acreditar terem sido abandonadas. Estas ações têm sido classificadas como crimes de guerra por organizações internacionais.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra o presidente russo Vladimir Putin e a comissária para os direitos das crianças, Maria Lvova-Belova, por responsabilidade na deportação em massa de crianças.

O relatório da Yale HRL baseia-se em imagens de satélite, dados de código aberto e informações verificadas por especialistas linguísticos russos, e foi compartilhado com autoridades ucranianas e organismos internacionais como a Europol. Trata-se de uma das investigações mais abrangentes até hoje sobre a deportação forçada e militarização de crianças em contexto de guerra.

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