Burkina Faso prende trabalhadores de ONG europeia por alegada espionagem

O governo militar do Burkina Faso anunciou a detenção de oito trabalhadores da organização humanitária INSO (International NGO Safety Organisation), com sede na Holanda, sob acusações de espionagem e traição. Entre os detidos encontram-se três cidadãos europeus — um francês, uma franco-senegalesa e um checo —, além de um maliano e quatro burquinabeses.
De acordo com o ministro da Segurança, Mahamadou Sana, os detidos são suspeitos de “coletar e repassar informações sensíveis de segurança” a entidades estrangeiras, alegadamente em detrimento dos interesses nacionais. As autoridades afirmam que a ONG já havia sido suspensa em julho por três meses, acusada de recolher dados estratégicos sem autorização.
Mesmo após a suspensão, alguns membros teriam continuado as atividades “de forma clandestina”, recorrendo a meios presenciais e online, segundo o comunicado oficial. Entre os detidos estão a diretora nacional da INSO e a sua adjunta.
A ONG rejeitou as acusações, defendendo que o seu trabalho é estritamente humanitário e visa garantir a segurança das equipas de ajuda no terreno. O diretor francês da organização, Jean-Christophe P., foi detido em julho, depois de o seu visto ter expirado, segundo revelou o jornal Le Monde.
A prisão dos trabalhadores da INSO ocorre num momento de crescente tensão diplomática entre o Burkina Faso e países europeus, em particular a França. Desde que o capitão Ibrahim Traoré assumiu o poder, em 2022, o governo militar tem adotado uma postura mais hostil face a organizações internacionais, meios de comunicação e representações estrangeiras, justificando as medidas como parte dos esforços de segurança nacional no combate à insurgência jihadista.
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