Oficial: exército de Madagáscar anuncia tomada de poder

O Presidente de Madagáscar, Andry Rajoelina, fugiu do país na sequência de uma rebelião militar que culminou na tomada do poder pelas Forças Armadas, segundo confirmou a Associated Press (AP). A crise política intensificou-se após semanas de protestos liderados por jovens que denunciavam cortes de água e energia, corrupção e o agravamento das condições económicas.
De acordo com a AP, uma unidade militar de elite — o CAPSAT (Corps d’administration des personnels et des services administratifs et techniques) — rompeu com o governo e juntou-se aos manifestantes, exigindo mudanças profundas na liderança do país.
Perante a crescente tensão e confrontos nas ruas da capital, Antananarivo, Rajoelina deixou o território alegando temer pela sua vida, embora não tenha apresentado formalmente a demissão.
Em comunicado transmitido pela televisão nacional, o Coronel Michael Randrianirina anunciou que o Exército assumiu o controlo do país, suspendendo as instituições da República e prometendo a criação de um governo de transição “para restaurar a ordem e devolver o poder ao povo”.
O Parlamento malgaxe reagiu à fuga do chefe de Estado com uma votação para destituir Rajoelina, acusando-o de “abandono de funções”. A decisão, contudo, aumenta ainda mais a incerteza num país com um histórico de golpes e instabilidade política.
Organizações regionais como a União Africana (UA) e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os acontecimentos, mas observadores internacionais alertam para o risco de isolamento diplomático e de uma nova crise humanitária na ilha.
Madagáscar, uma das nações mais pobres do mundo, vive agora um dos momentos mais críticos da sua história recente, com o futuro político completamente indefinido.


