
Um documento oficial datado de 27 de agosto de 2025 revela os bastidores da ausência de Elias Gaspar Pelembe, mais conhecido como Dominguês, da seleção nacional moçambicana nos recentes jogos de qualificação para o Mundial 2026. O próprio capitão dos Mambas redigiu uma carta formal explicando os constrangimentos burocráticos que o impediram de representar o país.
Problemas Logísticos Impedem Convocação
Segundo o documento assinado pelo veterano de 41 anos, a situação desenrolou-se quando, estando na Vila do Songo a 11 de março de 2025, foi informado da sua convocação para os jogos contra Uganda e Argélia. No entanto, dificuldades no envio do seu passaporte para Maputo acabaram por inviabilizar a sua participação.
“Digo formal e documentalmente porque, em bom rigor, os motivos pelos quais o meu passaporte não chegou a tempo na Federação Moçambicana de Futebol (FMF) eram, em tempo real, do domínio da estrutura administrativa da Seleção Nacional e da Direção da FMF”, escreveu Dominguês no documento.
O processo envolveu várias personalidades. Jorge Vulande, conhecido como “Mavo” e elemento do Departamento de Futebol da União Desportiva de Songo, foi encarregado de facilitar o envio do passaporte. Venâncio Foquisso, o “Paito”, representante da UD Songo em Maputo, também esteve envolvido no processo.
Entre os dias 12 e 13 de março, enquanto não era possível enviar o documento devido a problemas nas ligações aéreas entre Tete e Maputo, o selecionador Francisco Queirol Conde Júnior manteve contacto com Énio Saíze, coordenador da seleção nacional.
Quando o passaporte finalmente chegou a Maputo na noite de 14 de março, Énio Saíze informou que já não era necessário, pois o selecionador havia convocado outro jogador para a posição.
“Não Foi por Desrespeito”
Dominguês fez questão de sublinhar que “não foi por desrespeito à hora de ser convocado” que não integrou a seleção, mas sim devido aos constrangimentos logísticos. O capitão aproveitou para destacar as dificuldades sistemáticas no envio de documentação da Vila do Songo para a capital.
“Enquanto enfrentava dificuldades para enviar o passaporte da Vila de Songo à Cidade de Maputo, devido a problemas verificados com as ligações aéreas de Tete a Maputo, registou-se um atraso na entrega do passaporte”, explicou.
Perfil de um Veterano Dedicado
No documento, o “Puto Maravilha” traça o seu próprio perfil como jogador, descrevendo-se como “adepto da Seleção Nacional desde tenra idade”. Aos 41 anos, continua a desempenhar várias funções no contexto da seleção, sempre com dedicação às instituições do futebol moçambicano.
“Enquanto jogador de futebol, procuro agregar valor e ser factor de sucesso da Seleção Nacional”, afirmou. “Enquanto ainda estiver a jogar profissionalmente e enquanto tiver disponibilidade física e motivação, estarei sempre disponível para que, com uma indiscutível alegria, continue a ter o privilégio de representar a Seleção Nacional.”
Transparência e Profissionalismo
O facto de Dominguês ter tomado a iniciativa de escrever formalmente às autoridades demonstra o seu profissionalismo e preocupação em manter a transparência sobre a situação. A carta foi enviada em cópia para o Ministro da Juventude e Desporto, o Presidente da Federação Moçambicana de Futebol e o grupo de capitães da seleção nacional.
“Os motivos por detrás da não entrega atempada do passaporte foram igualmente expostos e esclarecidos ao presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, por via de uma chamada telefónica”, acrescentou.
Voto de Confiança no Futuro
Apesar dos constrangimentos vividos, Dominguês terminou a carta com uma mensagem de apoio à seleção: “Apresento os mais sinceros votos de muita boa sorte à Seleção Nacional, aos meus colegas, equipa técnica, administrativa, Federação Moçambicana de Futebol e a todos os adeptos nos próximos jogos diante do Uganda e Botswana.”
Este episódio levanta questões sobre a eficiência dos processos administrativos no desporto moçambicano, mas também destaca a maturidade e profissionalismo de um dos maiores ícones do futebol nacional, que aos 41 anos continua disponível para servir os Mambas na busca histórica pela primeira qualificação de Moçambique para um Campeonato do Mundo.
