
Um autocarro da empresa de transporte interprovincial Nagy Investimentos, que fazia a rota entre a cidade de Nampula e Lichinga, foi interceptado na madrugada de 16 de Setembro, no Posto Administrativo de Namina, distrito de Mecuburi, por transportar 126 passageiros, o dobro da lotação autorizada de 63 lugares.
Segundo as autoridades, 63 pessoas seguiam em pé, incluindo sete menores, numa viagem de quase 700 quilómetros, em clara violação do Regulamento de Transporte em Veículos Automóveis Rodoviários (RTVAR) e colocando em risco a vida dos ocupantes.

Após a fiscalização, os passageiros em excesso foram desembarcados e ao motorista foi aplicada uma multa de 403 mil meticais, prevista no artigo 106 do RTVAR. O condutor, identificado como Abdulla Mohammed Aly, apresentava apenas uma carta temporária e foi encaminhado ao INATRO de Nampula para registo da infração.
As diligências revelaram ainda uma irregularidade mais grave: o livrete apresentado era falso, com assinatura visivelmente forjada. O veículo, de marca Zhonghong, matrícula ALM-315-MC, constava apenas com 61 passageiros na lista oficial, deixando os restantes totalmente desprotegidos em caso de acidente.
Apesar de ter passado por outros pontos de controlo – entre eles o Posto de Controle n.º 4 e o Posto de Observação de Rapale – o autocarro só foi intercetado em Namina, às 05h40, após uma denúncia anónima. A operação foi liderada pelo Inspetor Principal da Polícia, Faque Malove.
Face à gravidade da situação, o superintendente Almeidas Pascoela, chefe do Departamento da Polícia de Trânsito local, convocou uma reunião com as forças conjuntas destacadas ao longo da EN13, para reforçar a fiscalização ao excesso de lotação, velocidade, horários de saída e autenticidade da documentação.
O caso surge numa altura em que Moçambique regista mais de 50 mortes em acidentes de viação entre 16 de Agosto e 17 de Setembro. A situação já fez soar alarmes a nível governamental: o Presidente da República, Daniel Chapo, insurgiu-se contra a alegada corrupção na Polícia de Trânsito, que permite a circulação de viaturas em situações irregulares e perigosas.
O episódio expõe falhas graves no sistema de controlo rodoviário e lança dúvidas sobre a fiscalização do setor, onde, segundo apurou o Evidências, os proprietários de algumas escolas de condução são quadros seniores do INATRO, criando um ambiente propício a arbitrariedades e impunidade. Evidências
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