
A onda de protestos que abala a Tanzânia desde as eleições gerais de 29 de outubro atingiu um novo nível de violência esta quinta-feira, com a invasão e destruição das instalações da Autoridade de Receita da Tanzânia (TRA) no distrito de Kyela, região de Mbeya, no sul do país.
Segundo fontes locais, centenas de manifestantes revoltados com os resultados eleitorais e alegadas fraudes atacaram o edifício da TRA, incendiando e destruindo mobiliário, viaturas e equipamentos administrativos. As forças de segurança foram rapidamente destacadas para o local, mas não conseguiram conter de imediato a multidão.
Testemunhas relatam que a ação dos manifestantes ocorreu após confrontos com a polícia, que tentava dispersar uma marcha pacífica. “As pessoas começaram a lançar pedras e depois entraram no edifício da TRA. Em poucos minutos, tudo estava em chamas”, contou um residente à imprensa local.
O governo ainda não se pronunciou oficialmente sobre o incidente, mas fontes da administração distrital de Kyela confirmam que há vários detidos e que uma investigação foi aberta para apurar os danos e responsabilizar os autores.
A destruição das instalações da TRA em Kyela soma-se a outros episódios de violência registados nos últimos dias em várias cidades, incluindo Dar es Salaam, Mwanza e Arusha, onde manifestantes denunciam repressão política, prisões arbitrárias e a exclusão de líderes da oposição das eleições.
Entretanto, organizações internacionais e grupos de direitos humanos voltaram a apelar à contenção das forças de segurança e ao restabelecimento da calma, pedindo ao governo tanzaniano para respeitar o direito de manifestação pacífica e garantir transparência no processo eleitoral.
A situação em Kyela reflete a crescente tensão política e social no país, com sinais de deterioração da ordem pública e risco de agravamento da crise caso não haja diálogo entre o governo e a oposição.
