
Pyongyang – O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, reuniu-se esta semana com famílias de soldados norte-coreanos que morreram enquanto combatiam ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia. O encontro, realizado em Pyongyang, teve forte carga simbólica e emocional, com Kim a entregar retratos emoldurados dos militares falecidos e a prometer às famílias uma “vida bela” em reconhecimento ao sacrifício dos seus entes queridos.
De acordo com a agência estatal KCNA, o dirigente norte-coreano afirmou que “o sangue derramado pelos nossos heróis jamais será esquecido” e garantiu apoio material e social aos familiares dos mortos, incluindo viúvas e crianças. Imagens divulgadas mostram Kim a consolar viúvas em lágrimas e a inclinar-se perante mães enlutadas.
A cerimónia ocorre após Pyongyang ter reconhecido oficialmente, em abril, o envio de milhares de soldados para apoiar a Rússia na frente de batalha, ao abrigo de um tratado de defesa mútua assinado com Moscovo em 2024. Estimativas de serviços de inteligência apontam para centenas de mortos e milhares de feridos entre as tropas norte-coreanas mobilizadas.


Para Kim, os soldados tombados são “mártires da pátria” e a sua participação na guerra representa uma contribuição decisiva para fortalecer a aliança estratégica entre Pyongyang e Moscovo. O gesto também é visto como sinal de profunda aproximação entre a Coreia do Norte e a Rússia, num momento em que ambos os países enfrentam forte isolamento internacional.
Analistas alertam, contudo, que o elevado número de baixas poderá gerar tensões internas, uma vez que as famílias norte-coreanas têm de lidar com a perda de jovens soldados enviados para uma guerra distante, num conflito que oficialmente não envolve o país.
